A menos de um mês da COP30, a indústria divulgou um parecer defendendo que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima avance com mais ações e resultados concretos.
Na declaração “Visão da Indústria sobre a COP30” divulgada nesta quarta-feira (15), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) destacou que a expectativa em torno da COP30 recai sobre o Roadmap Baku-Belém, plano de ação que detalhará como mobilizar a Nova Meta Coletiva Quantificada, estimada em US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, para financiar ações climáticas.
Diante do plano de ação, a entidade que representa o setor industrial propôs medidas que facilitem o acesso ao capital, como a simplificação de processos em bancos multilaterais e a superação de restrições associadas ao endividamento e ao espaço fiscal limitado dos países em desenvolvimento.
Segundo a CNI, o déficit de financiamento climático para adaptação dos países em desenvolvimento pode chegar a US$ 359 bilhões por ano. Por essa razão, a entidade recomenda que a COP30 avance em resultados concretos para o financiamento de projetos de alta integridade ambiental aptos a gerar créditos de carbono.
A entidade considera os mecanismos de mercado de carbono como uma das maiores oportunidades para o Brasil. Na avaliação da CNI, a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) terá papel decisivo na integração entre o mercado regulado nacional e os mecanismos do Acordo de Paris.
“O país tem potencial para produzir créditos de carbono de alta qualidade, capazes de atrair novos investimentos. Considerando a relevância do mercado de carbono para o cumprimento das metas climáticas globais e o expressivo potencial do Brasil para a geração de créditos de carbono de alta integridade, torna-se fundamental que o país acompanhe ativamente essas discussões e se posicione de forma estratégica”, diz o documento apresentado nesta quarta-feira (15).
A CNI também defendeu os 100 indicadores apresentados na Meta Global de Adaptação sejam flexíveis, respeitando as capacidades de cada país.
“A indústria sugere que as metas sejam implementadas de forma gradual, com um período de teste, para assegurar que as políticas e ações de adaptação gerem resultados efetivos e atraiam financiamento com menores custos”, afirma a entidade.
Além disso, a CNI destacou que a transição energética precisa garantir que cada país tenha autonomia para definir o próprio caminho rumo a uma economia de baixo carbono, conforme suas realidades e capacidades.
“A CNI ressalta que o tema não deve ser usado para legitimar medidas comerciais unilaterais com justificativas climáticas, a exemplo do CBAM (Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono) – instrumento da União Europeia para aplicar preço ao carbono emitido na produção de bens importados pelo bloco –, que podem se transformar em novas e injustas barreiras ao comércio internacional”, diz o texto.
A declaração foi apresentada durante o evento “A Pré-COP30: O Papel do Setor Privado na Agenda de Clima”, realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Durante a programação, foram apresentadas as propostas oficiais da indústria brasileira para a COP30 e os desafios de infraestrutura da Amazônia Legal.