A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ocorrida em meio aos ataques de Estados Unidos e Israel ao país, abre um cenário de incertezas sobre o futuro político da nação.
Especialistas apontam que, apesar da insatisfação popular com o regime, não existem condições para uma mudança estrutural de governo, e a sucessão deverá ocorrer dentro das estruturas de poder já estabelecidas.
O assunto foi abordado no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h), na última sexta-feira (6).
A Guarda Revolucionária, que controla significativa parte da economia iraniana, terá papel decisivo na escolha do próximo líder supremo. “Quem vai dar as cartas agora é a Guarda Revolucionária, basicamente”, afirma Américo Martins, um dos analistas que discutiu o tema.
Segundo ele, o filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, aparece como principal candidato à sucessão, apesar de não possuir as credenciais teológicas de alto nível que teoricamente seriam necessárias para o cargo.
Sucessão dinástica contradiz princípios da Revolução Islâmica
A possibilidade de um filho suceder o pai no comando do país é vista com desconfiança por parte da população iraniana, pois contradiz justamente os princípios da Revolução Islâmica de 1979, que criticava as monarquias e ditaduras dinásticas da região.
“Isso, para começar, não vai pegar nada bem dentro do Irã para uma parcela da população. Porque é exatamente o que o Irã critica nas monarquias, ditaduras também, árabes da região”, explicou o analista.
Entre outras possibilidades para a sucessão, foi mencionado o nome do neto de Khomeini, fundador da República Islâmica, em uma tentativa de resgatar os ideais originais da revolução.
Outra opção seria o Ayatollah Araf, que possui credenciais teológicas mais fortes e conexões tanto com a Guarda Revolucionária quanto com o Bassige, milícia que conta com cerca de 600 mil homens, muitos deles civis.
Independentemente de quem assuma o poder, os especialistas concordam que não haverá ruptura com o sistema atual. “Não estamos falando de mudança de regime. Não estamos falando de ninguém aqui que seja reformista, que seja um renovador”, ressaltou Américo Martins.
Embora possa haver maior pragmatismo nas relações internacionais, incluindo possíveis negociações com os Estados Unidos, a estrutura fundamental do regime iraniano deve ser mantida, com a Guarda Revolucionária como pilar central de sustentação do poder.