Governo Zema concede benefício fiscal para projeto de terras raras em MG

O governo de Minas Gerais assinou um regime tributário preferencial que concede benefícios fiscais à australiana St George Mining para acelerar o desenvolvimento do Projeto Araxá, considerado um dos projetos de nióbio e terras raras mais avançados do Ocidente.

A informação foi confirmada pela empresa nesta sexta-feira (13), em comunicado ao mercado. As ações da St George encerraram o pregão com alta de 3% na bolsa australiana após o anúncio.

Pelo acordo, equipamentos e outros materiais adquiridos para o desenvolvimento do projeto ficam isentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cuja alíquota pode chegar a 18% no estado.

“Nosso programa contínuo de perfuração em Araxá está entregando resultados excepcionais de alto teor, que acreditamos que sustentarão uma proposta muito robusta para uma operação de mineração de nióbio e terras raras de classe mundial”, afirmou o presidente do conselho executivo da empresa, John Prineas.

O Projeto Araxá abriga um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas, com teor médio de 4,13% de óxidos de terras raras, além de nióbio. A empresa classifica o ativo como um depósito de classe mundial.

Planta-piloto e centro tecnológico com o CEFET

Em 2025, a empresa anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais), em Araxá, que incluirá uma planta-piloto, versão reduzida de uma fábrica usada para testes, dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

A planta será instalada no campus do CEFET em Araxá e terá capacidade para processar de 200 a 300 quilos de minério por hora, com produção de amostras de ferronióbio e concentrado de terras raras.

Pelo modelo divulgado, a St George financia as obras e a compra dos equipamentos e assume a operação nos três primeiros anos. O período servirá para testar e otimizar as rotas de extração e processamento antes de uma aplicação em maior escala.

Nos dois anos seguintes, empresa e CEFET operam juntos o centro tecnológico, com foco em transferência de conhecimento e capacitação de equipe local. Ao fim do quinto ano, o CEFET assume integralmente a gestão e a operação do centro.

Interesse internacional e negociações de venda futura

O projeto é acompanhado de perto pelo mercado por estar inserido em um contexto de crescente demanda global por terras raras, minerais considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e o setor de defesa, em um cenário de redução da dependência internacional da China.

Com o avanço do projeto, a mineradora afirma que busca se posicionar como fornecedora de minerais críticos para países ocidentais e vem mantendo interlocução com autoridades dos Estados Unidos.

No ano passado, representantes da St George se reuniram com integrantes do governo norte-americano para discutir possíveis acordos de fornecimento.

A companhia também negocia com a empresa americana REalloys um contrato de offtake (compra futura) de longo prazo que pode envolver até 40% da produção de terras raras do Projeto Araxá.

Previsto para entrar em operação até 2027, o projeto está localizado ao lado das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora mundial de nióbio, responsável por cerca de 80% da oferta global.

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