O governo federal está pressionando o tema do fim da escala de trabalho 6×1 como estratégia para forçar um erro da oposição, segundo avaliação do cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice, durante participação no WW desta segunda-feira (9).
Segundo Aragão, a recente movimentação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tramitar a proposta não significa necessariamente que haverá aprovação.
“Bom, primeiro ponto que eu acho que essa movimentação não é garantia de uma aprovação”, destacou, acrescentando que o texto original apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) provavelmente sofrerá modificações.
O analista observou que o próprio ministro da Secretaria de Governo já mencionou a possibilidade de uma escala 5×2 com 40 horas semanais, diferente da proposta inicial.
“O governo força o assunto, põe o pé no acelerador, justamente para forçar um erro da oposição, um erro de quem não está do lado do governo nesse momento”, explicou.
Estratégia eleitoral
De acordo com Aragão, a questão tem forte apelo eleitoral e o governo não permitirá que o Congresso assuma o protagonismo sobre o tema.
“É uma pauta de forte apelo eleitoral, é uma pauta do governo, o governo não vai deixar o Congresso se apossar dessa pauta, vai falar que é dela, que é do governo”, afirmou.
Apesar da pressão, o cientista político considera que ainda há um longo caminho pela frente até uma possível aprovação.
“Vai precisar de negociação, vai precisar de mudanças, vai precisar de uma transição, na minha opinião. Então é um primeiro passo, mas uma PEC tem um caminho longo pela frente num ano que é bem cheio, um ano de eleição”, concluiu.