A operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (15) contra um esquema de venda de ingressos falsos reacendeu o alerta para golpes que se intensificam em períodos de alta demanda por shows e eventos concorridos.
Os investigadores cumpriram mandados contra suspeitos de criar um site pirata que simulava uma plataforma oficial de vendas para o show da banda britânica Iron Maiden.
Segundo a polícia, os criminosos usavam páginas falsas, com aparência quase idêntica à original, para induzir vítimas a realizar pagamentos, principalmente via Pix. O caso é investigado como associação criminosa e estelionato eletrônico.
Como se prevenir do golpe do ingresso falso
Especialistas em segurança digital e órgãos de defesa do consumidor recomendam atenção redobrada antes da compra:
- Desconfiar de sites que não sejam divulgados nos canais oficiais do evento ou da produtora
- Conferir a URL com atenção, observando letras trocadas ou domínios diferentes
- Evitar pagamentos diretos a desconhecidos, especialmente via Pix
- Desconfiar de ingressos com preços muito abaixo do mercado
- Não concluir a compra por links enviados em redes sociais ou aplicativos de mensagem
- Golpistas costumam explorar a urgência do consumidor quando os ingressos estão esgotados e a procura permanece alta.
Golpe não depende do ingresso existir
Para Angelo Bimbato, CEO da BuyTicket — plataforma de intermediação de ingressos de terceiros que já intermediou mais de 150 mil ingressos desde 2023 —, o golpe vai além da venda do ingresso em si.
“O que a maioria das pessoas não entende é que o golpe do ingresso, na verdade, ele não é um golpe relacionado diretamente ao ingresso, mas sim financeiro”, afirma. “O golpista não precisa necessariamente ter o ativo ingresso para conseguir aplicar o golpe.”
Segundo ele, a prática mais comum envolve imagens falsas e a exigência de pagamento antecipado. “Eles usam imagens falsas e adotam o discurso de que precisam primeiro receber o pagamento para depois enviar o ingresso. Aí a vítima faz um Pix, é bloqueada nas redes sociais e o golpista some com o dinheiro.”
A informalidade do mercado de revenda também contribui para o problema. “É muito complicado você conseguir identificar o golpe de ingresso, porque o mercado de revenda ainda é extremamente informalizado”, diz.
Risco nas redes sociais
Bimbato alerta que redes sociais e aplicativos de mensagens são ambientes propícios para fraudes. “Quando um evento esgota ingressos e ainda tem alta demanda, você não sabe onde encontrar sem ser pelo canal oficial. É aí que você recorre às pessoas e redes sociais – Twitter, Instagram, WhatsApp, Facebook. E é onde mora o perigo.”
Ele reforça que o anonimato facilita a ação criminosa. “Afinal, são plataformas passíveis de criar perfis falsos. Então você não sabe se aquela pessoa que você está conversando, do outro lado, é realmente quem diz ser.”
Como alternativa, o executivo aponta plataformas que fazem a intermediação da revenda com mecanismos de segurança. “Hoje, a única maneira mais segura de comprar ingressos no mercado secundário é por meio de plataformas que consigam garantir a segurança nesse processo de intermediação.”
Ele cita como exemplo processos de verificação de identidade e retenção do pagamento. “Para vender um ingresso na nossa plataforma, o primeiro passo é fazer um processo de KYC, o mesmo utilizado para fazer cadastro em bancos.”
Outro ponto, segundo ele, é que o valor pago não é repassado imediatamente. “O vendedor não recebe imediatamente o dinheiro pelo ingresso, ele fica com a BuyTicket até o evento, quando o comprador confirma que conseguiu entrar no show ou no evento sem nenhum problema – aí sim o valor é repassado.”
A Polícia Civil reforça que vítimas devem registrar boletim de ocorrência e que a atenção aos detalhes pode evitar prejuízos financeiros em golpes cada vez mais sofisticados.