Faep repudia bloqueio de quase metade dos recursos do seguro rural em 2026

O Sistema FAEP (Federação de Agricultura do Paraná) manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto para o orçamento do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) em 2026. Segundo dados do Painel do Orçamento Federal, divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento previsto é de R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente destinados ao programa neste ano.

A entidade defende que o governo federal reverta imediatamente a medida para garantir previsibilidade e segurança aos produtores rurais que dependem do seguro para proteger a atividade contra perdas causadas por eventos climáticos.

De acordo com a FAEP, a redução dos recursos agrava um cenário já marcado por sucessivos cortes no programa. Em 2025, cerca de 42% do orçamento previsto para o PSR foi bloqueado. Já em 2024, a execução dos recursos ficou aproximadamente 40% abaixo do montante aprovado pelo Congresso Nacional.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a efetivação do bloqueio representaria um duro impacto para o setor agropecuário.

“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeras dificuldades nas últimas temporadas”, afirma. “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”, acrescenta.

Os números reforçam a relevância do programa para os produtores paranaenses. Em 2025, o Estado registrou a contratação de 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% de todos os contratos firmados por meio do PSR no Brasil, que somaram 64,17 mil apólices.

A entidade também chama atenção para a redução gradual da cobertura do seguro rural nos últimos anos. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o número de apólices subvencionadas caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, uma retração de 68,3% em quatro anos.

No Paraná, a área segurada acompanhou essa tendência. Enquanto em 2021 mais de 3,8 milhões de hectares estavam protegidos pelo programa, em 2025 a cobertura recuou para 1,25 milhão de hectares, uma queda de 63,8%.

Segundo Meneguette, a diminuição da cobertura ocorre em um momento de maior exposição do setor às adversidades climáticas, aumentando os riscos para a produção agrícola.

“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, conclui.

A preocupação do setor ocorre em meio ao bloqueio de recursos federais anunciado para 2026, que reduziu significativamente o orçamento disponível para o seguro rural, considerado uma das principais ferramentas de gestão de risco da agropecuária brasileira.

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