Os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita dificilmente serão substituídos no calendário da Fórmula 1 caso, como parece provável no momento, sejam cancelados devido ao conflito no Oriente Médio.
Múltiplas fontes de alto escalão no paddock da categoria disseram à Reuters nesta sexta-feira (6) que reduzir o campeonato mundial das 24 etapas originalmente previstas para 22 corridas é o cenário mais provável.
A corrida noturna do Bahrein, disputada sob luzes no circuito de Sakhir, ao sul de Manama, está programada para 12 de abril. Já a prova da Arábia Saudita, em Jeddah, está marcada para o fim de semana seguinte.
A MotoGP também tem corrida prevista no circuito de Lusail, no Catar, próximo a Doha, no dia 12 de abril, mas a categoria afirmou que a realização da etapa nessa data parece muito difícil, com poucas chances de transferência para outro local.
Já a etapa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), programada para Doha entre 26 e 28 de março, foi adiada.
Catar, Arábia Saudita e Manama, capital do Bahrein, foram alvos de mísseis e drones iranianos — incluindo um hotel atingido nesta última cidade — após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Grandes aeroportos da região, importantes centros de conexão para viajantes internacionais, seguem fechados.
Altas temperaturas e falta de datas
Remarcar as corridas da Fórmula 1 nos mesmos locais mais tarde no ano seria extremamente difícil, já que as temperaturas na região são muito mais elevadas durante o verão e o outono europeus.
Também não há lacunas evidentes no calendário, uma vez que a Fórmula 1 pretende manter a pausa de agosto e reduzir a carga de trabalho das equipes.
Embora alguns circuitos tenham sido citados pela imprensa como possíveis substitutos — como Imola, na Itália, Le Castellet, na França, Portimão, em Portugal, e Istambul Park, na Turquia — a realidade prática de deslocar toda a estrutura da categoria em curto prazo representa um enorme desafio logístico.
Além disso, haveria pouco incentivo para os promotores assumirem a organização, já que o prazo para vender ingressos e cobrir as taxas de sediar a prova seria reduzido. A preparação de fiscais de pista, segurança e logística de transporte também exige tempo.
Realizar uma segunda corrida no circuito de Suzuka, no Japão, após a terceira etapa da temporada — outra opção sugerida — criaria novos problemas. Os proprietários da pista, a Honda, também teriam pouco interesse em destacar ainda mais suas próprias dificuldades com motores, especialmente com a Aston Martin.
Durante a pandemia de Covid-19, corridas foram realizadas sem público em circuitos substitutos, com algumas pistas recebendo duas provas consecutivas. Naquele momento, porém, havia uma necessidade urgente de completar a temporada.
Um calendário reduzido de 22 corridas — ainda assim longo em comparação com muitos campeonatos do passado — permitiria cumprir obrigações comerciais, mesmo que reduzisse as receitas totais da Fórmula 1.
Bahrein já foi cancelado em 2011
As corridas do Oriente Médio representam uma parte importante das receitas da Fórmula 1, mas Bahrein e Arábia Saudita também têm vínculos mais profundos com o esporte. O Bahrein é proprietário da equipe campeã McLaren, enquanto a Arábia Saudita atua como patrocinadora e investidora.
Quando o Grande Prêmio do Bahrein foi cancelado em 2011 devido a protestos no país, ele não foi reagendado após equipes se oporem a uma nova data no fim de outubro.
“Queremos que nosso papel na Fórmula 1 continue sendo tão positivo e construtivo quanto sempre foi. Portanto, no melhor interesse do esporte, não vamos insistir em reagendar uma corrida nesta temporada”, afirmou na época o presidente do circuito, que posteriormente se tornou ministro do governo.
O então chefe comercial da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, disse posteriormente que o Bahrein pagou a taxa de realização da corrida mesmo assim.
O atual diretor-executivo da Fórmula 1, Stefano Domenicali, e Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), afirmaram que a segurança é a prioridade.
“Não queremos fazer nenhuma declaração hoje porque a situação está evoluindo e ainda temos tempo para tomar a decisão correta. Essa decisão será tomada em conjunto”, disse Domenicali à Sky Sports, em Melbourne.
O dirigente italiano deve se reunir com chefes de equipes da Fórmula 1 no sábado (7).
“É o primeiro encontro de todas as equipes. Houve muito pouca comunicação sobre a situação até agora, principalmente pelo esforço necessário para todos chegarem à Austrália”, afirmou Zak Brown, chefe da McLaren.
O chefe da Mercedes, Toto Wolff, disse aos jornalistas: “Espero muito que possamos correr. É realista que corramos lá neste momento? Não tenho tanta certeza”.
Embora a Fórmula 1 ainda tenha algum tempo antes de tomar uma decisão final, outros prazos importantes estão se aproximando.
A Fórmula 2, categoria de acesso à Fórmula 1, também disputa a primeira etapa da temporada neste fim de semana na Austrália. Em seguida, os equipamentos deveriam ser enviados de avião para o Bahrein na segunda-feira, para um teste marcado entre 25 e 27 de março, em Sakhir.
Uma fonte de alto escalão no paddock da Fórmula 2 afirmou que as equipes ainda aguardam esclarecimentos, mas já esperam que tanto o teste quanto a corrida sejam cancelados, possivelmente com um anúncio ainda neste fim de semana.
Caso as etapas da Fórmula 2 no Bahrein — no mesmo fim de semana da Fórmula 1 — e na Arábia Saudita sejam canceladas sem substituição, a segunda corrida do campeonato só aconteceria em Mônaco, em junho.