Exportações de algodão devem ser 3,3% maiores em 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) revisou em 3,3% para cima a expectativa de exportações do mercado de vestuário para 2026. No último ano, o setor registrou alta de 8% nos embarques, com lucro de US$ 908 milhões. Apesar do desempenho positivo nas exportações, o segmento segue pressionado pelo forte volume de importações, que somaram US$ 6,6 bilhões e resultaram em um déficit de US$ 5,7 bilhões na balança comercial do setor.

O complexo têxtil e de confecção reúne mais de 25 mil empresas no país e responde por cerca de 1,31 milhão de postos de trabalho, que geram R$ 39,1 bilhões anuais em remuneração. Entre janeiro e novembro de 2025, o setor têxtil criou 9,4 mil vagas, enquanto a indústria de confecção abriu outras 12,4 mil.

No mesmo período, a produção têxtil cresceu 6,8%, enquanto a de vestuário avançou de forma mais moderada, com alta de 0,7%. Para 2026, a Abrapa projeta um crescimento de 1,1% da atividade.

Embora atuem em etapas distintas da cadeia produtiva — a indústria têxtil transforma fibras em fios e tecidos, enquanto a confecção utiliza esses insumos para a fabricação de roupas e outros produtos —, os dois segmentos são diretamente impactados pela volatilidade do mercado de algodão, matéria-prima essencial para as indústrias de moda e móveis.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) adota um discurso cauteloso em relação às perspectivas do setor. Segundo a entidade, a retomada do crescimento depende de uma recuperação gradual do crédito interno, da queda das taxas de juros e de um ambiente inflacionário mais controlado. O elevado custo de capital para investimentos segue como um dos principais entraves, especialmente diante da concorrência externa, com destaque para produtos importados da China.

No cenário global, a Abit estima que o mercado de vestuário alcance US$ 2,3 trilhões até 2030, com crescimento médio anual de 4%. Para Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da entidade, o setor demonstrou resiliência diante de um ambiente econômico adverso. “Mesmo diante de um cenário desafiador, o setor conseguiu avançar. Chegamos a 2026 em um ritmo menor do que iniciamos 2025, mas ainda cercados de desafios estruturais importantes, especialmente ligados à competitividade e ao comércio internacional”, afirmou em balanço divulgado em janeiro.

Do lado da produção de algodão, a Abrapa destaca o avanço da qualidade da pluma brasileira. Segundo o diretor executivo da entidade, Marcio Portocarrero, o país tem ampliado sua competitividade no mercado internacional. “O Brasil compete com algodão de primeira linha. A indústria de tecidos e vestuário exige um insumo sofisticado, e o país tem avançado em qualidade e sustentabilidade nos últimos seis anos, fator decisivo para competir globalmente”, disse à CNN Brasil.

A principal dificuldade enfrentada pelo setor, segundo empresários, é a concorrência com fibras e tecidos sintéticos, mais baratos e amplamente utilizados na indústria de baixo custo. Ainda assim, produtores e industriais veem espaço para ampliar o uso do algodão nos produtos finais. “Conseguimos aumentar a participação do algodão nos produtos, o que elevou sua utilização pela indústria têxtil. No entanto, ainda enfrentamos a forte demanda por insumos sintéticos, que são mais baratos, mas trazem impactos à saúde e ao meio ambiente”, explicou Portocarrero.

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