Os Estados Unidos afirmaram que esgotaram todas as alternativas legais para resolver de forma pacífica a questão da Venezuela antes da captura do líder de Nicolás Maduro.
Segundo um comunicado conjunto do Departamento de Justiça, do FBI (a agência federal de investigações dos EUA) e da Agência Antidrogas dos EUA, essas tentativas foram rejeitadas antes da operação que levou Maduro à custódia americana, onde será julgado por acusações de assassinato e tráfico de drogas.
O governo americano declarou ainda que a ação “reforça o compromisso dos Estados Unidos com a responsabilização criminal, o respeito ao Estado de Direito e a proteção da segurança nacional”.
Joint Statement from the Department of Justice, the Federal Bureau of Investigation, and the Drug Enforcement Administration
The Department of Justice, working in close coordination with the Department of War, the Department of State, the Federal Bureau of Investigation, the…
— Attorney General Pamela Bondi (@AGPamBondi) January 4, 2026
A ação surpreendente dos EUA foi resultado de meses de planejamento com ensaios detalhados para a realização de uma das operações militares mais complexas do país.
O Departamento de Justiça destacou que a operação foi necessária após a recusa, por parte dos envolvidos, em interromper as atividades criminosas.
Mortes na operação
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que “grande parte” da equipe de segurança do presidente deposto Nicolás Maduro foi morta na operação.
A operação resultou no “assassinato a sangue frio de grande parte de sua equipe de segurança, soldados e civis inocentes”, disse López em um pronunciamento em vídeo.
Os militares americanos feridos durante uma operação para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sofreram ferimentos leves e estão em condição estável e considerada boa, segundo informou um alto funcionário da Casa Branca à CNN.
Captura de Maduro
O ditador venezuelano foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano na cidade de Nova York.
Descrito como “repugnante” e com condições “horripilantes”, o centro é conhecido por suas condições precárias, falta crônica de pessoal, violência entre os detentos e frequentes apagões.

Ele é o único centro correcional federal que atende a cidade de Nova York após o fechamento do complexo de Manhattan depois da morte do financista multimilionário e acusado de tráfico sexual Jeffrey Epstein em 2019.
Maduro deve comparecer a um tribunal federal de Manhattan na próxima semana para responder por acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Situação da Venezuela
A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos abre um cenário de incertezas para o futuro político da Venezuela. Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais Alexandre Coelho analisou os possíveis desdobramentos desta situação e as implicações geopolíticas para o país sul-americano.
Segundo o especialista, um dos cenários possíveis é a manutenção da estrutura de poder atual, porém com novos protagonistas.
Na análise do professor, a Venezuela poderia ter uma face externa representada por Delcy Rodríguez, que estaria em conversação com o governo americano, enquanto internamente a estrutura seria mantida por Diosdado Cabello.
O especialista destacou que o interesse pelo petróleo venezuelano parece ser uma motivação central na operação americana. A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 302 bilhões de barris.