Os Estados Unidos informaram ao Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (28) que a desmilitarização de Gaza vai incluir o desarmamento por meio de um processo apoiado por um programa de recompra financiado internacionalmente.
O grupo palestino Hamas mantém o controle de pouco menos da metade da Faixa de Gaza após um acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025, intermediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O pacto condiciona a retirada de novas tropas israelenses à entrega de armas pelo Hamas.
Os Estados Unidos — juntamente com os 26 países que já aderiram ao chamado Conselho de Paz, iniciativa promovida por Trump — vão pressionar o grupo palestino a entregar as armas, segundo o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz.
“O Hamas não deve ter qualquer papel na governança de Gaza, direta ou indiretamente, de forma alguma, ponto final”, disse ele ao conselho de 15 integrantes.
“Toda a infraestrutura militar, terrorista e ofensiva, incluindo túneis e instalações de produção de armas, será destruída e não reconstruída”, acrescentou.
Segundo Waltz, monitores internacionais e independentes supervisionarão um processo de desmilitarização de Gaza. A missão dos EUA na ONU não respondeu imediatamente a um pedido de informações adicionais sobre o programa.
Grupo palestino permanece armado
Fontes afirmaram que o Hamas concordou recentemente em discutir o desarmamento com outras facções palestinas e com mediadores.
No entanto, dois representantes do grupo palestino disseram à agência Reuters que nem Washington nem os mediadores apresentaram ao grupo qualquer proposta detalhada ou concreta.
Um funcionário americano, falando sob condição de anonimato, disse na segunda-feira (26) que Washington acredita que o desarmamento do Hamas viria acompanhado de algum tipo de anistia para o grupo islâmico.
O Hamas ainda está fortemente armado, afirmou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, ao Conselho de Segurança.
“Ainda contém milhares de foguetes, mísseis antitanque e milhares de fuzis Kalashnikov. No total, o Hamas ainda possui cerca de 60 mil fuzis”, disse Danon.
“Essas armas são usadas não apenas contra Israel, mas também contra os habitantes de Gaza que se opõem ao domínio do Hamas”, acrescentou o embaixador de Israel na ONU.
Futuro de Gaza
Em novembro de 2025, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou o mandato do Conselho de Paz até 2027, com foco exclusivo na Faixa de Gaza.
Rússia e China se abstiveram, alegando que a resolução elaborada pelos EUA não conferia às Nações Unidas um papel claro no futuro de Gaza.
A resolução descreveu o conselho como uma administração de transição “que estabelecerá a estrutura e coordenará o financiamento para a reconstrução de Gaza” no âmbito do plano de paz de Trump, até que a Autoridade Palestina tenha se reformado satisfatoriamente.
A resolução também autorizou o conselho a enviar uma Força Internacional de Estabilização temporária para Gaza.
“Saudamos e agradecemos aos nossos amigos que concordaram em contribuir para a força internacional de estabilização”, disse Waltz. Os Estados Unidos ainda não anunciaram quais países concordaram em contribuir.
“As ISF (Forças de Segurança Israelenses) começarão a estabelecer controle e estabilidade, para que as Forças de Defesa de Israel possam se retirar de Gaza com base em padrões, marcos e prazos vinculados à desmilitarização”, disse Waltz.
Ele acrescentou que esses pontos seriam acordados entre os militares israelenses, as ISF e os países que asseguram o acordo de cessar-fogo: os Estados Unidos, o Egito e o Catar.