O Museu do Futebol inaugura nesta sexta-feira (17), em São Paulo, a exposição temporária “¡Cancha brava!”, que celebra o futebol sul-americano.
A mostra, que tem curadoria de Luiza Romão, Matias Pinto e Gisele de Paula, contempla a multiplicidade do esporte bretão no continente, exaltando a festa e as diferentes culturas do torcer, mas também as tensões que tiveram o futebol como pano de fundo ou até como protagonista.
No centro da exposição há um espaço que simula uma arquibancada, com caixas de som que reproduzem cantos de várias torcidas. Nos telões, são exibidas as letras — em espanhol e português — e as canções originais que serviram de inspiração para os cânticos.
Dessa forma, o visitante pode saber, por exemplo, que uma das músicas da Torcida Independente, do São Paulo, foi elaborada a partir da melodia de Sobreviviendo, do cantor de folclore argentino Víctor Heredia.
Já na última parte do recorrido, um mural pintado pelos artistas Marina Ceglie e Cleber TTC ocupa uma parede inteira e ilustra todos os clubes campeões da Copa Libertadores.
Entretanto, se por um lado “¡Cancha brava!” traz todo o colorido do futebol da América do Sul, há outros espaços que expõem os conflitos do continente.
Uma das alas da exposição recorda o golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende, no Chile, em 11 de setembro de 1973. Episódio que teve como impacto direto o chamado “jogo fantasma” entre Chile e União Soviética, válido pela repescagem da Copa do Mundo de 1974.
Apesar de os soviéticos terem se recusado a viajar para a América do Sul em razão do golpe, a Fifa obrigou os chilenos a entrarem em campo, mesmo sem adversário.
Após o apito inicial, a equipe andina trocou passes em direção ao ataque até que Chamaco Valdés chutou para o gol vazio e marcou. Na ausência de uma outra equipe que pudesse reiniciar a partida, o confronto foi encerrado, e o Chile, classificado para o Mundial.
Uma foto da seleção chilena enfileirada para o jogo contra os soviéticos faz parte de uma das instalações da exposição. O visitante é convidado a girar uma manivela, que termina por revelar, por baixo da imagem do time chileno, uma foto (tirada pelo fotógrafo brasileiro Evandro Teixeira) de um soldado segurando um fuzil no Estádio Nacional, local que serviu de centro de detenção durante o regime.
Nesta quinta-feira (16), durante a abertura da mostra para imprensa e convidados, as disputas do futebol sul-americano, antigas e atuais, assim como as disputas da própria vida no continente estiveram presentes não só nas paredes e telões do museu.
“Em um momento no qual os imigrantes estão sendo tão atacados em todo o mundo”, disse Matias Pinto, “esta exposição representa os dez países filiados à Conmebol, mas também todos os imigrantes aqui presentes. Imigrar é um direito”, concluiu, emocionado, o curador, cuja fala foi feita abaixo de uma tela em homenagem ao escritor Eduardo Galeano, que com suas palavras escancarou as violências históricas da América Latina.
¡Cancha Brava! Futebol sudamericano en disputa
- Até 5 de abril de 2026
- Horário de funcionamento: terça a domingo, das 9h às 18h (entrada permitida até 17h).
- Ingressos: R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia)
- Grátis para crianças até 7 anos
- Grátis para todos às terças-feiras
- Saiba mais em: www.museudofutebol.org.br