Apesar dos protestos que se espalham pelo Irã e da pressão internacional, não há sinais de divisão entre as elites de segurança que sustentam o regime islâmico, segundo diplomatas e analistas ouvidos pela Reuters. Essa coesão é vista como o principal fator que impede uma queda do governo.
As manifestações, iniciadas em 28 de dezembro por causa da alta dos preços, rapidamente passaram a questionar o regime. A repressão violenta agravou a crise de legitimidade do Estado.
Ao menos 2.403 pessoas morreram durante os protestos, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos Estados Unidos. Anteriormente, a organização havia divulgado o número de 2.003, sendo 1.850 manifestantes, 135 indivíduos ligados ao governo iraniano, nove pessoas com menos de 18 anos e nove civis que não participavam dos protestos.
O sistema de segurança do país — liderado pela Guarda Revolucionária e pela milícia Basij, que somam cerca de um milhão de integrantes — dificulta qualquer tentativa de mudança sem deserções internas. Especialistas afirmam que, para o regime ruir, seria necessário um rompimento dentro das forças de segurança, o que ainda não ocorreu.
Para que esse tipo de coisa funcione, é preciso ter multidões nas ruas por um período de tempo muito maior.

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, já sobreviveu a outras ondas de protestos desde 2009. Analistas dizem que, embora o governo esteja enfraquecido, continua funcional.
A diferença agora é o contexto externo: sanções econômicas severas, um programa nuclear enfraquecido após ataques de Israel e dos EUA, e perdas de aliados regionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão ao ameaçar ações contra Teerã. um funcionário da Casa Branca afirmou que “todas as opções” estão sobre a mesa. Apesar disso, especialistas alertam que uma intervenção externa pode gerar instabilidade grave e até fragmentação do país.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã tiveram início no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleira.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos