Em 2026, o mercado de commodities deve apresentar desempenho estável e leve tendência de queda, influenciado pelo comportamento das matérias-primas energéticas, que têm grande peso nos índices globais do setor. A estimativa da StoneX, em relatório especial divulgado nesta terça-feira (27), também aponta para projeções de oferta e demanda global.
Para a StoneX, o segmento de grãos e oleaginosas segue um cenário confortável, com destaque para o novo recorde de produção esperado para o Brasil em 177,6 milhões de toneladas. A sobreoferta de milho nos Estados Unidos pressiona os preços, enquanto a safrinha no Brasil segue indefinida devido a atrasos, agravados por condições climáticas. A participação do país como exportador deve recuar com a alta demanda por etanol no mercado interno.
Café e cacau indicam recuperação da produção dos principais exportadores, mas estoques globais seguem restritos. Com superávit previsto, o açúcar permanece em viés de baixa, enquanto o algodão inicia o ano com redução da área plantada e ampla oferta no Brasil e na Austrália.
O relatório aponta para os riscos de preços elevados por conta das restrições de embarques de fertilizantes. A alta da amônia, devido a problemas de produção, impacta os custos de fabricação da uréia, além da suspensão das exportações chinesas de fosfatados. A instabilidade no Irã e Venezuela também aumenta os riscos à disponibilidade e pode impactar os custos de fertilizantes importados, o que entra no radar de grandes importadores como o Brasil e a Índia.
Para Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, a expectativa é que a dinâmica de incertezas e cautela não se repita de maneira uniforme entre as demais categorias de bens primários.
Andrioli reforça que, apesar dos investimentos em Inteligência Artificial indicarem otimismo ao ambiente de negócios e ganhos de produtividade para a indústria, a progressão está condicionada ao cenário de crédito e capacidade das empresas de tecnologia em entregar resultados concretos.
A economia global superou as expectativas em 2025, apesar de incertezas e impactos econômicos gerados pelas tarifas americanas que modificaram o comércio internacional. Em 2026, o ritmo de crescimento econômico deve ser semelhante, mas acompanhado por riscos de instabilidade em torno das políticas econômicas dos Estados Unidos e incertezas sobre o Federal Reserve e cenário geopolítico.