Educadora destaca importância da saúde mental no início do ano letivo

Ano passado, o MEC (Ministério da Educação) divulgou relatório sobre saúde mental em que revela aumento de quase 2.500% nos registros de atendimento ao longo da última década. Entre jovens de 15 a 19 anos, o crescimento é ainda mais acentuado, alcançando 3.300%. 

No contexto educacional, especialmente no período pré-universitário, pesquisas recentes (Sharma & Nigam, 2025) sugerem que o crescimento de transtornos mentais entre estudantes pré-universitários e universitários não é causado por um único fator isolado, mas uma combinação complexa de diversos fatores como a pressão por desempenho, a competitividade intensa e a cobrança por aprovação em vestibulares e processos seletivos geram elevados níveis de ansiedade.  

Soma-se a isso o excesso de estímulos digitais, a dificuldade de concentração e o desequilíbrio entre estudos, descanso e vida social.  

Quando não há espaços adequados de apoio emocional e orientação, esse conjunto de fatores pode comprometer o bem-estar e a saúde mental dos estudantes, impactando diretamente seu desempenho e sua qualidade de vida”, explica Katia Chedid, líder do departamento de governança educacional da Fundação Bradesco. 

Escola como prevenção

A especialista destaca ainda que as instituições de ensino podem atuar de forma preventiva e estruturada ao unir cuidado socioemocional ao projeto pedagógico.  

Isso inclui, segundo a psicopedagoga, a capacitação contínua dos educadores para identificar sinais de sofrimento emocional, a criação de ações permanentes de acolhimento e o fortalecimento do diálogo com as famílias.  

Além disso, atividades que promovam o equilíbrio emocional, o autoconhecimento e momentos de pausa ao longo da rotina escolar contribuem para ambientes mais humanizados. “Podem ser rodas de conversa, dinâmicas de grupo, exercícios de respiração ou técnicas de relaxamento. Uma vez que o tema da saúde mental é tratado de forma transversal e contínua, a escola passa a exercer um papel ativo no acompanhamento do bem-estar dos estudantes”, explica Katia.  

Em meio a um cenário onde a saúde mental ocupa espaço cada vez mais presente no debate público, inserir a discussão no cotidiano escolar contribui para reduzir a naturalização do adoecimento psíquico e ampliar a conscientização sobre a importância do cuidado emocional.  

“Na perspectiva escolar, esse debate é fundamental. A escola ocupa uma posição estratégica não apenas na identificação precoce de sinais de sofrimento emocional, mas também no desenvolvimento de competências socioemocionais que ajudam os estudantes a lidar com frustrações, pressões e incertezas”, finaliza. 

 

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