Direita brasileira comemora captura de Maduro; esquerda critica

Integrantes da oposição no Congresso Nacional brasileiro comemoraram neste sábado (3) os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a anunciada captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Parlamentares da base governista, no entanto, avaliaram a ação norte-americana como “grave”.

O ataque “de grande escala” foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio das redes sociais. Segundo ele, Maduro foi capturado e levado para fora do país. O presidente norte-americano deve detalhar a operação em uma coletiva de imprensa às 13h, no horário de Brasília, no resort de Mar-a-Lago, na Flórida.

O anúncio de Trump repercutiu entre políticos brasileiros que divergiram entre o endosso e críticas aos ataques americanos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), via redes sociais, afirmou que a ação americana ultrapassou uma “linha inaceitável”. O governo debate o tema neste sábado em reunião de emergência, em Brasília.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reforçou o posicionamento de Lula e afirmou que a comunidade internacional “precisa responder de forma firme e responsável”.

Em apoio a Donald Trump, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), anunciou que enviará um “ofício de congratulações ao governo dos EUA pela ação bem-sucedida contra o regime de Maduro”.

Parlamentares do PSOL e do PT, por outro lado, condenaram a ação dos EUA e criticaram a violação de direitos internacionais. Líder do governo e vice-presidente do PT, o deputado José Guimarães (CE), afirmou que “defender a soberania da Venezuela é defender o direito internacional, a paz regional e a estabilidade da América Latina”.

O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirmou que a prisão de Maduro é um “fato político” e um “marco histórico”. Segundo ele, “a história é implacável com tiranos” e “mais cedo ou mais tarde, o poder sem legitimidade cobra seu preço”.

Líder da bancada do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) repudiou com “veemência” a ação dos EUA. Ele defendeu o diálogo e uma solução negociada pelos organismos internacionais.

“A Bancada do PT conclama as forças democráticas para defender a soberania dos povos latino-americanos, bem como encontrar soluções negociadas e pacíficas, sem o uso da força militar e com respeito ao povo venezuelano e às instituições democráticas daquela nação”, disse.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou que o povo venezuelano é “oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista” e defendeu a instalação da democracia no país vizinho.

Na mesma linha, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou a regime autoritário de Maduro e o que chamou de “tragédia humanitária” no país vizinho. “Mesmo diante desse cenário devastador, o povo venezuelano resiste. Resiste com fé, dignidade e coragem. Nenhuma ditadura é eterna. A liberdade sempre encontra seu caminho”, disse.

Líder do PSOL na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ) afirmou que o ataque é “inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina”.

Segundo o senador Rogério Carvalho (PT-SE), os ataques dos EUA miram “interesses econômicos, sobretudo no petróleo” e violam o direito internacional.

Em nota, o deputado Zucco (PL-RS), ex-líder do oposição na Câmara, avaliou que o momento é “verdadeiramente histórico” para a América Latina e que agora a Venezuela “tem a chance de renascer” e avançar.

“A captura de Maduro representa o fim de um ciclo de opressão e o início de uma nova etapa. Uma oportunidade histórica para que a Venezuela possa reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir eleições livres e devolver dignidade ao seu povo”, afirmou.

O deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) prestou solidariedade à população venezuelana e afirmou que ação americana tem o objetivo de “assumir o controle do petróleo e das riquezas minerais do país vizinho”.

Para o senador e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR), o ataque americano representa “o fim de Maduro” e é “melhor para Venezuela e para o mundo”.

Na visão do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), na gestão de Trump, os Estados Unidos “revivem sua sanha imperialista” e defendeu que a comunidade internacional condene a ação na Venezuela.

O agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou em suas redes sociais que com a captura de Madura integrantes do Foro de São Paulo terão “dias terríveis”.

Vice-líder da federação governista formada por PT, PV e PC do B na Câmara, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) destacou que “a escalada de guerra do governo Trump” chega à América Latina “em busca do controle político regional e do petróleo”.

Em vídeo publicado, o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) declarou que “acabou o regime ditatorial na Venezuela” e comemorou a queda do “regime esquerdista” no país.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que os ataques dos EUA são uma “grave violação do direito internacional e ameaça direta à vida de civis”.

Em resposta aos ataques, o governo venezuelano declarou emergência nacional e mobilizou planos de defesa, enquanto o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, prometeu resistir à presença de tropas estrangeiras.

Nos últimos meses, a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela cresceu após o Pentágono deslocar um grande contingente militar e atacar embarcações no Caribe, com a justificativa de combate ao narcotráfico.


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