Sam Darnold não precisou ser o protagonista para escrever, na noite de domingo (8), o capítulo final de uma das maiores histórias de redenção da história da NFL.
O quarterback completou 19 de 38 passes para 202 jardas e um touchdown, sem cometer turnovers, na vitória do Seattle Seahawks por 29 a 13 sobre o New England Patriots no Super Bowl LX, disputado no Levi’s Stadium.
Darnold não ficou com o prêmio de MVP — a honraria foi para o running back Kenneth Walker III. E, a rigor, também deixou escapar alguns recebedores livres que poderiam ter permitido aos Seahawks abrir vantagem mais cedo na partida.
Ainda assim, Darnold comandou um ataque eficiente, que aumentou gradualmente a pressão sobre um ataque dos Patriots sufocado pela defesa implacável de Seattle. Além disso, ele encerrou a campanha de três jogos dos playoffs sem lançar nenhuma interceptação, após ter cometido 14 durante a temporada regular.
Escolha de primeira rodada no draft, anteriormente descartado pelo New York Jets e pelo Carolina Panthers, Darnold agora é campeão do Super Bowl, defendendo sua quinta equipe em oito temporadas. E, embora não tenha sido o herói da decisão, foi, sem dúvida, uma das forças motrizes da caminhada que levou Seattle ao segundo título mundial de sua história.
“Eu levo minha carreira dia a dia, e isso me trouxe até aqui. É basicamente isso que posso dizer”, afirmou Darnold. “É por causa dos caras no vestiário, por causa da comissão técnica, que trabalha duro todos os dias. É por isso que todos nós estamos aqui.”
Após três temporadas pelos Jets e duas pelos Panthers, Darnold assinou com o San Francisco 49ers em 2023 como reserva de Brock Purdy. Ironicamente, foi atuando pelos 49ers — justamente no estádio que sediou o triunfo máximo de domingo — que começou a sua ressurreição, depois de ser visto como um dos maiores “busts” da história do draft da NFL.
Ele lançou apenas 46 passes naquela temporada, mas mostrou evolução suficiente sob o comando do técnico Kyle Shanahan para despertar o interesse do Minnesota Vikings, que o contratou em 2024. Com a lesão de J.J. McCarthy, que rompeu o ligamento cruzado anterior antes do início da temporada, Darnold conduziu os Vikings a uma campanha de 14 vitórias e três derrotas na temporada regular.
No entanto, uma atuação desastrosa nos playoffs pesou para que Minnesota optasse por não renovar seu contrato.
Na sequência, os Seahawks assinaram com Darnold um acordo de três anos, avaliado em mais de 100 milhões de dólares (R$ 521 milhões}, para substituir Geno Smith, iniciando uma parceria que culminou no título da NFC West, na vantagem de mando de campo e, por fim, na conquista do Super Bowl.
Na decisão, Darnold esteve sob pressão constante sempre que recuava para o passe. O plano defensivo agressivo dos Patriots, com muitos blitzes, resultou em apenas um sack, mas obrigou o quarterback a se movimentar o tempo todo.
Diante disso, o coordenador ofensivo Klint Kubiak respondeu com um ataque fortemente baseado no jogo terrestre, permitindo que Walker acumulasse 135 jardas em 27 corridas.
O único passe para touchdown de Darnold veio no quarto período, em um lançamento para o tight end AJ Barner — poucas posses depois de o wide receiver All-Pro Jaxon Smith-Njigba deixar o campo para ser avaliado por uma possível concussão.
Assim, Darnold recorreu a Barner e ao veterano Cooper Kupp para, enfim, alcançar a end zone, após duas visitas anteriores à zona vermelha terminarem em field goals.
Darnold encerrou o jogo com 202 jardas aéreas, um touchdown e um rating modesto de 74,7. Ainda assim, deixou o Levi’s Stadium como campeão do Super Bowl, com seu nome eternizado na história do Seattle Seahawks.
E o que passou pela cabeça de Darnold ao ver os confetes azuis e verdes caindo após o apito final?
“Nós conseguimos”, disse. “Foi isso. Tem sido uma jornada tão especial com esses caras. Tanto trabalho duro foi colocado nisso tudo, e pronto. É simplesmente um trabalho bem feito”.