Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional firmaram um acordo para a regularização de uma dívida de quase 20 anos que já estava na casa de R$ 1,2 bilhão. O montante envolve débitos não previdenciários (R$ 1 bilhão), previdenciários (R$ 200 milhões) e FGTS e a negociação foi finalizada no final de 2025.
O clube do Parque São Jorge vai ter que desembolsar R$ 679 milhões, após receber um desconto de 46,6% em cima de juros, multas e encargos. Após o acordo, o pagamento ficou acordado da seguinte forma: 120 parcelas para o pagamento de débitos não previdenciários e 60 parcelas para os previdenciàrios. Além disso, o Timão optou por um pagamento de 60 prestações, com direito a 30% de desconto, em relação ao FGTS.
De acordo com nota da PGFN, o Corinthians colocou a sede social, o Parque São Jorge, que é avaliado em R$ 602 milhões, como uma das garantias de pagamento das parcelas. Os valores da Timemania também foram apresentados. A informação foi divulgada pelo SBT e confirmada.
Sendo assim, com a nova transação tributária, a dívida do Corinthians deve ter uma redução na ordem dos R$ 200 milhões previsto em orçamento. Existe a possibilidade da redução ser ainda maior, no entanto. De acordo com o último balancete do clube, em relação ao mês de novembro, a atual dívida do Timão está em R$ 2,8 bilhões.
Grande parte da dívida do Corinthians é por questões tributárias: R$ 800 milhões.
Leia nota oficial da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
“A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Sport Club Corinthians Paulista firmaram acordo para quitar uma dívida bilionária de quase duas décadas. O valor, que chega a R$ 1,2 bilhão, era considerado irrecuperável. O acordo envolve débitos não previdenciários (R$ 1 bilhão), previdenciários (R$ 200 milhões) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) (R$ 15 milhões). A proposta foi apresentada em 2024 e, após intensas negociações, foi pactuada a transação tributária envolvendo a totalidade do passivo fiscal com a União.
O clube vai pagar R$ 679 milhões em dinheiro após receber um desconto de 46,6% em cima de juros, multas e encargos – bem abaixo do permitido pela legislação, que pode chegar a 70%. O valor será dividido em 120 prestações, para os débitos não previdenciários e 60 prestações no caso dos previdenciários.
Em relação ao FGTS, o clube paulista optou pela modalidade oferecida pela Caixa Econômica Federal que confere desconto de pouco mais de 30% e pagamento em 60 prestações. Já sobre os créditos de contribuição social, previstos na LC 110/2001, o acordo foi pelo pagamento à vista com desconto de 70%.
Como garantia da transação, o clube ofereceu os valores do Timemania (jogo de loteria do governo federal organizado pela instituição financeira) com pagamento de parcelas vencidas, conforme autoriza o artigo 7º-A da Lei nº 11.345/2006. Além disso, o Parque São Jorge Clube Esportivo, avaliado em R$ 602,2 milhões, também entrou no acordo.
Ponto relevante da transação tributária é a previsão de que o clube mantenha sua regularidade fiscal daqui para a frente, assegurando o adequado pagamento dos tributos correntes. A PGFN vai acompanhar de perto a fim de garantir os termos do acordo.
Acordos com outros clubes de futebol
Outros clubes esportivos já firmaram transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A mais recente foi com o Sport Club Internacional, em 2025, no âmbito do programa SOS-RS, uma das iniciativas do governo federal para apoiar a recuperação econômica do estado gaúcho após as enchentes de 2024. O acordo regularizou discussões tributárias que se arrastavam por 18 anos. O passivo de R$ 150 milhões, está sendo pago pelo Internacional com descontos previstos na legislação.
Em 2023, foi a vez do Sport Club de Recife, que negociou com a PGFN o valor de R$ 114 milhões, incluindo todo o passivo do clube pernambucano inscrito em dívida ativa da União, com descontos de pouco mais de 50% sobre juros, multas e encargos.
Os principais times mineiros, Cruzeiro Esporte Clube e Clube Atlético Mineiro, também firmaram acordos com a PGFN. Com o Cruzeiro, a transação permitiu renegociar débitos tributários no valor de R$ 334 milhões, inclusive previdenciários, inscritos em dívida ativa. Já o Atlético negociou cerca de R$ 42 milhões em dívidas.
Outros grandes times brasileiros, como Esporte Clube Bahia, Clube de Regatas Vasco da Gama, Botafogo Futebol e Regatas, Fluminense Futebol Clube e Clube de Regatas Flamengo já fizeram transações tributárias com a PGFN.“