Conflito entre Israel e Hezbollah piora crise no Líbano, diz comitê

A escalada de ataques entre Israel e o grupo rebelde Hezbollah agrava ainda mais a crise humanitária no Líbano, segundo o Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês). O Comitê, fundado em 1933, monitora e auxilia pessoas desabrigadas com serviços de saúde e proteção.

Cerca de 700 mil pessoas foram deslocadas no território libanês em decorrência da escalada da violência – número que deve aumentar ao longo do conflito. “Um colapso econômico, destruição da infraestrutura pública e o conflito entre Israel e Hezbollah deixaram o Líbano extremamente vulnerável”, explica o Comitê em relatório.

A retomada do conflito entre os rebeldes e os israelenses veio na esteira da Guerra contra o Irã. O Hezbollah, apoiado pelos iranianos, atacou o território israelense em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei.

Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Ambos tinham firmado um cessar-fogo em novembro de 2024, que deixou de ser cumprido.

A capital, Beirute, e outras cidades do país – especialmente no sul – têm sofrido uma onda de ataques aéreos e terrestres desde então.

687 pessoas morreram e cerca de 1.400 ficaram feridas em decorrência dos bombardeios israelenses no Líbano, segundo as autoridades locais.

“Centenas de escolas e prédios públicos foram convertidos em abrigos de emergência, enquanto famílias estão dormindo em carros ou se reunindo em pequenos apartamentos com familiares”, aponta o IRC.

O cenário já era difícil para os libaneses antes da retomada dos ataques. O país tenta se recuperar de uma crise econômica que levou a uma grande desvalorização da moeda local – a Libra libanesa -, seguida por uma hiperinflação e alto desemprego.

Uma estimativa da União Europeia aponta que 80% da população do Líbano vive na pobreza e 36% na extrema pobreza. Essas pessoas vivem com “a falta de um acesso confiável a um sistema de saúde, eletricidade e educação”, explica o Comitê.

Já antes da nova ofensiva israelense, 4,1 milhões de pessoas no Líbano precisavam de algum tipo de apoio humanitário. Isso porque, segundo o IRC, os ataques de Israel ao longo de 2023 e 2024 danificaram 67 hospitais e fecharam 150 clínicas de saúde, “fechando o acesso para apoio essencial para milhares de pessoas”.

Enfraquecido pelo Hezbollah, o estado libanês enfrenta dificuldades para reagir.

“A capacidade das instituições do Líbano para reagir são restritas e estão ainda mais enfraquecidas depois da crise econômica”, afirmou Joseph Daher, pesquisador associado do Centro de Estudos para Conflitos Internacionais de Bonn ao ISPI (Instituto Italiano para Estudos Políticos Internacionais)

Em entrevista à CNN nesta quarta (12), o ministro da Justiça libanês, Adel Nassar, afirmou que o governo está em completa colaboração com a população.

“Existe uma mobilização total do governo para endereçar o máximo possível as necessidades da população. As necessidades são grandes e os problemas são enormes. Mas, estamos trabalhando dia e noite para cooperar com essas grandes dificuldades”, disse.

Nassar também apontou para um cenário crítico nas ruas de Beirute e outras cidades.

“Existe, portanto, uma situação realmente dramática no Líbano e os civis estão sofrendo muito. O país está sofrendo com grandes danos e as escolas estão fechadas e a atual situação é muito difícil”, concluiu.

Nem Israel, nem Hezbollah dão sinais de que irão cessar os ataques. As forças militares israelenses estão se preparando para expandir suas incursões terrestres no sul do Líbano. E o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu prometeu seguir bombardeando o grupo rebelde.

“O Hezbollah sente a força total do nosso poder, e sentirá ainda mais forte. Ele vai pagar um preço muito alto por sua agressão”, disse Netanyahu em pronunciamento aos israelenses.

O povo do Líbano, no entanto, pede pelo fim dos bombardeios.

“Nós somos contra a escalada. Nós não queremos guerra, queremos paz. Queremos que nossas crianças vivam nesse país e tenham seu futuro aqui”, disse Elie Issa – que vive em Beirute.

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