O governo federal definiu como prioridades para o comércio exterior em 2026 destravar ou ampliar acordos comerciais do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos.
As informações foram confirmadas pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante coletiva de imprensa para comentar os dados da balança comercial brasileira de 2025.
“Estamos otimistas para 2026. O presidente Lula tem orientado que a missão é diálogo, negociação e fortalecer o militarismo e livre comércio”, disse.
No caso da Índia, o objetivo do governo é ampliar a cobertura – hoje bem limitada – do acordo de comércio preferencial do bloco com o país.
O governo brasileiro avalia que a Índia, o país mais populoso do mundo e que passou por um processo de industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorada pelos exportadores nacionais.
Além disso, a pauta exportadora do Brasil para Nova Délhi é pouco diversificada: óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto representam mais de 60% do total enviado.
O governo vê margem para ampliar as vendas de produtos como minério de ferro, óleos vegetais, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas. Correndo por fora, estão carne de aves, pescado, café e suco de laranja.
O principal entrave, no entanto, são as elevadas tarifas aplicadas pela Índia. O país não incluiu quase nenhum produto do agronegócio no acordo de comércio preferencial que mantém com o Mercosul.
Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo. O tratado, de alcance limitado, abrange 450 categorias de produtos, num universo de cerca de 10 mil, e prevê reduções tarifárias modestas, entre 10% e 20%.
A meta do governo brasileiro é negociar a inclusão de novos produtos, especialmente do agronegócio, negociar reduções tarifárias e buscar a retirada de barreiras comerciais.
Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a Índia concordou em ampliar a cobertura do acordo, após ligação com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Emirados Árabes Unidos
No caso do país emirati, o objetivo do governo é concluir as negociações para a assinatura de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos.
Em novembro, as partes concluíram a quarta rodada de negociações do acordo de livre comércio entre o bloco e o país árabe.
As negociações para o acordo comercial começaram em 2024 e avançaram rapidamente entre os dois lados.
Segundo relatos feitos ao CNN Money por autoridades diretamente envolvidas nas tratativas, havia uma possibilidade de fechamento do acordo ainda no ano passado, pois as divergências afunilaram em poucas questões.
As tratativas finais, no entanto, devem ser concluídas em 2026.
A principal delas, segundo as fontes, é o pleito dos Emirados Árabes de zerar as tarifas de importação do Mercosul para cerca de duas dezenas de petroquímicos.
É um segmento no qual os árabes — grandes produtores de petróleo — são altamente competitivos e a indústria brasileira tem especial sensibilidade para se proteger da competição externa.
Os principais produtos de exportação do Brasil para os Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. Na direção contrária, as maiores importações são de petróleo, ureia, enxofre e peças para aeronaves.
Recentemente, os dois países ampliaram a cooperação em diferentes setores, e as diplomacias de ambos já classificam a relação como de parceria estratégica e confiável.
Além do comércio crescente, um dos pontos altos da relação bilateral são os investimentos dos Emirados Árabes no Brasil. Empresas e fundos como Mubadala, ADIG (Abu Dhabi Investiment Group), Edge Group e DP World têm aumentado rapidamente sua presença no país.
Canadá
No caso do Canadá, o objetivo do governo brasileiro é avançar nas negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá, considerado estratégico para ampliar o acesso a mercados de maior valor agregado, como mineração.
O acordo também é aguardado pelo agronegócio.
As negociações, iniciadas em 2018, foram retomadas em 2025, após as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocarem turbulências no comércio global e acenderem o alerta em diversos governos.
As tratativas buscam reduzir tarifas, facilitar o comércio de bens e serviços e aprofundar a cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.