A chefe de política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, disse neste sábado (17) que a China e a Rússia devem estar “se divertindo muito” com a divisão criada entre os países da UE e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) após os EUA anunciarem tarifas contra as nações que se opõem à anexação da Groenlândia.
Em postagem no X, Kallas disse que China e Rússia são os países que se beneficiam do conflito entre os países aliados e que as tarifas podem empobrecer a Europa e os EUA, “prejudicando nossa prosperidade compartilhada”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou neste sábado uma tarifa de 10% sobre os países que enviaram tropas à Groenlândia para exercícios militares na Operação Arctic Endurance, após o republicano ameaçar anexar a ilha.
Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia – países membros da Otan – serão taxadas a partir do dia 1º de fevereiro, segundo anúncio de Trump na rede social Truth Social, e o valor da tarifa será aumentado para 25% a partir de junho.
Trump afirmou que tarifa será cobrada até que um acordo seja firmado para a compra total da Groenlândia.
O republicano afirmou na mensagem que a China e a Rússia têm interesse na Groenlândia e zombou da capacidade militar da Dinamarca para proteger a ilha.
Kaja Kallas disse que, se a segurança da Groenlândia estiver em risco, “podemos resolver isso dentro da Otan”.
“Também não podemos deixar que nossa disputa nos distraia da nossa principal tarefa: ajudar a pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia”, escreveu a chefe de política externa da UE, que também é vice-presidente da Comissão Europeia.
China and Russia must be having a field day. They are the ones who benefit from divisions among Allies.
If Greenland’s security is at risk, we can address this inside NATO.
Tariffs risk making Europe and the United States poorer and undermine our shared prosperity.
We also…
— Kaja Kallas (@kajakallas) January 17, 2026
A Dinamarca, responsável pela defesa da Groenlândia, criticou a posição de Trump e disse que uma invasão à ilha desmoronaria a Otan, que tem os EUA como um dos países mais fortes. O governo dinamarquês disse que estava expandindo sua presença militar “em estreita cooperação com os aliados da Otan”.
No último domingo (11), Trump disse que os EUA vão anexar Groenlândia “de um jeito ou de outro”.