China diz que sucessão do Dalai Lama é “espinho” nas relações com a Índia

A sucessão do líder espiritual tibetano, Dalai Lama, é um espinho nas relações China-Índia, afirmou a embaixada chinesa em Nova Déli neste domingo (13), enquanto o ministro das Relações Exteriores da Índia se prepara para visitar a China pela primeira vez desde os confrontos fatais na fronteira em 2020.

Antes das comemorações deste mês de seu 90º aniversário, que contaram com a presença de ministros indianos de alto escalão, o líder dos budistas tibetanos irritou a China novamente ao afirmar que ela não teve nenhum papel em sua sucessão.

“(A) questão relacionada a Xizang é um espinho nas relações China-Índia e se tornou um fardo para a Índia. Jogar a ‘carta de Xizang’ certamente acabará sendo um tiro no próprio pé”, disse Yu Jing, porta-voz da embaixada chinesa, usando o nome chinês para o Tibete.

Os tibetanos acreditam que a alma de qualquer monge budista sênior reencarna após sua morte, mas Pequim afirma que a sucessão do Dalai Lama também precisará ser aprovada por seus líderes.

O Dalai Lama vive exilado na Índia desde 1959, após uma revolta fracassada contra o domínio chinês no Tibete, e especialistas indianos em relações exteriores afirmam que sua presença dá a Nova Déli uma vantagem contra a China.

A Índia também abriga cerca de 70 mil tibetanos e um governo tibetano no exílio.

A porta-voz, afirmou no aplicativo de mídia social X que algumas pessoas de comunidades estratégicas e acadêmicas da Índia fizeram “comentários impróprios” sobre a reencarnação do Dalai Lama.

Yu não citou ninguém, mas, nos últimos dias, analistas de assuntos estratégicos indianos e um ministro do governo apoiaram as declarações do líder espiritual sobre sua sucessão.

“Como profissionais de relações exteriores, eles devem estar plenamente cientes da sensibilidade das questões relacionadas a Xizang”, disse Yu, usando o nome chinês para o Tibete.

“A reencarnação e a sucessão do Dalai Lama são inerentemente um assunto interno da China”,

afirmou.

 

Posição da Índia

O ministro Parlamentar e de Assuntos Minoritários da Índia, Kiren Rijiju, que se sentou ao lado do Dalai Lama durante as festividades de aniversário há uma semana, afirmou que, como budista praticante, acredita que somente o guru espiritual e seu gabinete têm autoridade para decidir sobre sua reencarnação.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia afirmou em 4 de julho, dois dias antes do aniversário do Dalai Lama, que Nova Déli não toma posição nem se pronuncia sobre assuntos relativos a crenças e práticas de fé e religião.

O ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, participará de uma reunião regional de segurança sob a Organização de Cooperação de Xangai em Tianjin, no norte da China, no dia 15 de julho, e realizará reuniões bilaterais paralelamente.

Esta será uma das visitas de mais alto nível entre a Índia e a China desde que suas relações despencaram após um confronto mortal na fronteira em 2020, que matou pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses.

No final do mês passado, o ministro da Defesa da Índia conversou com seu homólogo chinês na China, à margem de uma reunião de ministros da Defesa da Organização de Cooperação de Xangai.

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