CEO da Alpargatas: Demanda no 4º tri foi excelente

A Alpargatas registrou um lucro líquido de R$ 197 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o resultado praticamente nulo observado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho positivo foi impulsionado pela expansão da receita e pela redução nos custos dos produtos vendidos, segundo o balanço divulgado pela fabricante das Havaianas.

A companhia apresentou um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 211 milhões, valor significativamente superior aos R$ 36 milhões registrados um ano antes.

A margem ajustada deu um salto expressivo, passando de 3,2% para 16,8%. Esses números, segundo Liel Miranda, CEO da Alpargatas, coroam um grande ano de desempenho da empresa.

“Quando a gente compara o ano fechado, a gente também expandiu a margem Ebitda em mais de 150%, cresceu o faturamento em mais de 10%, e cresceu em todas as geografias onde a gente opera, com crescimento no internacional de 5% do volume”, destacou Miranda em entrevista exclusiva ao CNN Money.

Estratégia para o mercado americano

Um dos destaques do relatório foi o expressivo crescimento das vendas nos Estados Unidos, onde o volume de flip-flops comercializados saltou de 300 mil pares para 1,2 milhão.

Esse aumento, no entanto, está relacionado a uma mudança estratégica no modelo de negócio da empresa no mercado norte-americano.

A Alpargatas anunciou uma parceria com um distribuidor nacional nos Estados Unidos, que passará a fazer a gestão dos inventários, comercialização e distribuição dos produtos no país.

O aumento expressivo nas vendas reflete, em grande parte, a transferência do inventário da empresa para esse distribuidor.

“Tem dois grandes benefícios. Um deles é que a gente tinha uma operação da Alpargatas e essa operação obviamente trazia os custos naturais de armazenamento e manutenção do inventário, venda, distribuição. Com essa parceria a gente não terá mais esses custos, então isso deve melhorar a rentabilidade”, explicou o CEO.

O segundo benefício, segundo Miranda, é o maior acesso a clientes e regiões nos Estados Unidos que a empresa não conseguia alcançar com sua força de vendas própria.

“A gente acredita que os Estados Unidos vai ter melhor distribuição em mais clientes, em mais estados, em mais geografias, e, com isso, vai trazer crescimento mais acelerado”, afirmou.

Desempenho no mercado brasileiro

No Brasil, a empresa registrou uma ligeira queda de 2,2% no volume de vendas, mas manteve crescimento no faturamento.

Miranda destacou que o sell-out – aquilo que os clientes vendem para os consumidores finais – aumentou em 8% no quarto trimestre em comparação ao ano anterior, enquanto nos trimestres anteriores a média era de 4%.

“A gente teve um excelente quarto trimestre do ponto de vista de demanda dos consumidores”, ressaltou o CEO.

“A Havaianas continua ganhando participação de mercado no Brasil. Quando a gente compara a nossa participação de mercado no quarto trimestre contra o trimestre anterior ou contra o ano anterior, a gente continuou ganhando participação”.

O executivo também destacou que os consumidores estão comprando produtos com diferentes inovações e preços mais altos, o que contribui para o aumento do Ebitda da companhia.

Quanto aos investimentos em marketing, que representaram cerca de 70% do aumento do Opex (despesas operacionais), Miranda explicou que a empresa mantém uma política de investir entre 7% e 8% do faturamento no Brasil em marketing, padrão que pretende manter.

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