Carros de luxo ficam mais baratos após fim de impostos na Argentina

Montadoras e importadoras de automóveis estão comemorando uma mudança na legislação argentina que diminuiu os preços dos carros. O chamado “impuesto interno” foi extinto após reforma legislativa com objetivo de normalizar o mercado interno, que enfrentava estagnação de vendas e distorções tributárias acumuladas nos últimos anos. Os descontos chegam até US$ 128 mil, caso de um modelo exclusivo da Porsche.

Apelidado de “Imposto do luxo“, o tributo incidia com uma alíquota nominal de 18% sobre itens de alto valor, incluindo veículos, embarcações e aeronaves. Na prática, a incidência conjunta com outros impostos federais elevava a carga tributária para 21,95% sobre o valor de faturamento das concessionárias. Veículos com preço de mercado acima de 105 milhões de pesos eram os principais alvos da taxação, que originalmente funcionava como ferramenta de política monetária para conter a evasão de divisas.

Entre os modelos com reajustes mais significativos está o Ford Mustang Dark Horse. No mercado brasileiro, o modelo é comercializado por aproximadamente R$ 649 mil. Com a nova política tributária argentina, o valor foi ajustado para US$ 75 mil, o que representa cerca de R$ 390 mil em conversão direta. A Audi também revisou sua tabela de preços para março de 2026, aplicando uma redução de US$ 37,1 mil no utilitário esportivo RS Q8 Performance, agora tabelado em US$ 250 mil.

A Porsche, representada pela importadora Nordenwagen, registrou reduções nominais ainda maiores. O modelo 911 Turbo S teve seu preço reduzido em US$ 128 mil após a alteração normativa. Lançado em setembro de 2025, o carro chegou ao mercado argentino por US$ 682.400, mas agora já é vendido por US$ 554.000.

Embora a vigência oficial da nova legislação esteja prevista para 1º de abril, diversas fabricantes anteciparam os descontos para evitar a paralisia total das vendas durante o mês de março, período em que consumidores aguardavam a conclusão da votação no Congresso.

A retração do consumo na Argentina, observada desde o segundo semestre de 2025, gerou efeitos diretos na indústria brasileira. Como principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, a queda na demanda argentina reduziu o volume de exportações de veículos nacionais, impactando as metas de produção das montadoras instaladas no país. A expectativa da Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa) é que o corte nos preços, com média de 15% de redução para marcas premium, ajude a reorganizar o sistema tributário e devolva previsibilidade à cadeia produtiva.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *