As gravações do sistema de monitoramento do Shopping Tijuca detalham como se deu a resposta inicial ao incêndio ocorrido no subsolo do centro comercial, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 2 de janeiro.
As imagens, às quais a CNN Brasil teve acesso, mostram a movimentação de brigadistas, seguranças e clientes antes da confirmação da morte da brigadista Emellyn Silvia Aguiar Menezes, de 26 anos, e do chefe da segurança Anderson Aguiar, de 43 anos. Outras três pessoas ficaram feridas.
O fogo iniciou em uma loja do shopping, onde o botão de emergência foi acionado às 18h04, conforme depoimento do estabelecimento. Minutos depois, por volta das 18h09, a brigadista aparece nas imagens colocando equipamentos de proteção respiratória em uma sala no quarto andar. Ela segue para o subsolo às 18h14, acompanhada de um colega. Naquele dia, a equipe era composta por três brigadistas, sendo que um deles já estava no local.
Imagens revelam esforço do chefe de segurança para salvar vítimas
No mesmo intervalo, o chefe da segurança levou uma mangueira até a área atingida e iniciou o combate às chamas, enquanto ainda havia circulação de pessoas no corredor. Em registros seguintes, ele reaparece com outro equipamento, tentando conter o avanço do fogo.
As imagens também indicam que, nos primeiros minutos, a retirada do público ocorreu de forma pontual, com orientação isolada de alguns seguranças. Somente cerca de 11 minutos após o acionamento do alerta é que a evacuação do subsolo se intensificou, com o fechamento gradual das lojas e a liberação do corredor.
Os registros integram o material analisado pela Polícia Civil para reconstruir a sequência dos acontecimentos e a atuação das equipes durante a ocorrência.
Investigações em andamento e abertura do shopping
A 19ª DP (Tijuca) apura as circunstâncias do caso e, nesta semana, os investigadores ouviram mais três pessoas. Prestaram depoimento o sócio da empresa CM Couto, responsável pela brigada do shopping, a superintendente Adriana Santilhana e brigadistas que atuaram no primeiro combate ao fogo.
Segundo depoimento do supervisor da loja onde o incêndio teve início, o hidrante interno da unidade estaria sem água no momento da ocorrência.
O Shopping Tijuca reabriu ao público na sexta-feira (16), após o incidente, porém, mesmo com a retomada das atividades, o subsolo e parte do primeiro piso permanecerão interditados por determinação da Defesa Civil.
Regularização dos shoppings no estado
Em nota, o CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro) informou que, após o incêndio, realizou um levantamento interno sobre a regularização de shoppings em todo o estado. Como medida preventiva, foi determinada a realização de vistorias técnicas em todas as edificações classificadas como shopping centers, com o objetivo de verificar as condições de segurança contra incêndio e pânico e o cumprimento da legislação.
De acordo com a corporação, os empreendimentos devem possuir Certificado de Aprovação, que comprova o atendimento às exigências previstas no projeto de segurança. A manutenção dessas medidas e a renovação do documento são de responsabilidade dos proprietários, especialmente em casos de alterações estruturais ou de layout. O CBMERJ informou que as ações fazem parte da estratégia de prevenção e fiscalização.