Brasil precisa de novas estratégias para combater crime organizado, diz ONG

O Brasil precisa adotar novas estratégias de segurança pública para acabar com as organizações criminosas que atuam no país, segundo o Relatório Mundial 2026 publicado nesta quarta-feira (4) pela Humans Right Watch.

De acordo com a organização, é preciso tornar a polícia “mais eficaz na aplicação da lei”, promover investigações criminais independentes e desmantelar ligações de grupos criminosos com agentes do Estado.

O  relatório analisou as práticas de direitos humanos em 100 países e designou quais podem ser as prioridades das autoridades brasileiras.

No âmbito da segurança pública, a pesquisa apontou a falta de independência das unidades forenses para investigações que são vinculadas às polícias civis, a “deficiência” nas medidas investigativas relacionadas a mortes de civis por policiais, a descrença no trabalho das forças de segurança em razão dos abusos de poder e casos de corrupção por parte das instâncias.

“As estratégias de segurança pública baseadas no uso indiscriminado de força letal pela polícia falharam repetidamente em tornar os bairros brasileiros mais seguros e, em vez disso, resultaram em mais violência e insegurança”

César Muñoz , diretor da Human Rights Watch no Brasil

No relatório, a organização lista alguns pontos que evidenciam o problema da segurança pública no país. Veja abaixo:

  • Entre janeiro e novembro de 2025, a polícia matou 5.920 pessoas. Os brasileiros negros têm três vezes e meia mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos. Embora algumas mortes pela polícia sejam em legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais. Os abusos cometidos pela polícia, bem como a corrupção dentro das forças de segurança pública, fazem com que as comunidades desconfiem das autoridades e fiquem menos propensas a denunciar crimes e colaborar com as investigações;
  • Estratégias de segurança pública que levam a tiroteios também colocam os policiais em risco. Dados oficiais mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, 171 policiais foram mortos. Outros 119 cometeram suicídio, uma taxa muito mais alta do que o resto da população, o que reflete a exposição à violência e o apoio inadequado à saúde mental, entre outros fatores;
  • As investigações sobre mortes causadas pela polícia frequentemente apresentam graves falhas. Por exemplo, a polícia não adotou medidas investigativas cruciais para determinar as circunstâncias da morte de 122 pessoas, incluindo 5 policiais, durante a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025;
  • O Rio de Janeiro é um dos sete estados, juntamente com o Distrito Federal, em que a perícia oficial é totalmente subordinada à polícia civil, uma estrutura que não confere aos peritos a independência necessária para realizar um trabalho eficaz, especialmente em casos de suspeita de abusos policiais;
  • O Supremo Tribunal Federal decidiu que o Ministério Público deve liderar as investigações sobre suspeitas de crimes dolosos contra a vida cometidos pela polícia. Uma resolução adotada pelo Conselho Nacional do Ministério Público instruiu os promotores a garantir que essas investigações cumpram os protocolos internacionais, incluindo perícias criminais adequadas.

Segundo a organização, diante de um ano de disputa eleitoral, as pautas principais dos candidatos devem ser a violência e a segurança pública.

Além disso, a Human Rights Watch recomenda que as propostas sobre o tema devem se basear em evidências científicas e orientam que haja uma melhor gestão entre as administrações federais e estaduais sobre tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro e organizações criminosas.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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