O Ibovespa encerrou janeiro com um dos ganhos mais expressivos dos últimos anos, em um movimento considerado raro para o índice, tradicionalmente mais volátil no início do ano.
O principal índice de referência da bolsa brasileira acumulou alta de 12,56% no mês, desempenho que marca o terceiro melhor resultado em 16 anos.
O resultado colocou o Ibovespa no topo do ranking entre 13 classes de ativos analisadas em janeiro, segundo levantamento da Elos Ayta, superando inclusive aplicações tradicionalmente associadas à proteção em momentos de incerteza.
O ouro, por exemplo, teve forte valorização no período, com alta de 11,97%, mas ainda assim ficou atrás da Bolsa. O IDIV, índice que reúne as principais pagadoras de dividendos da B3, avançou 10,56%.
Sob a ótica do investidor internacional, a performance de janeiro foi ainda mais marcante. Considerando a variação em dólares, o Ibovespa acumulou alta de cerca de 20,37% até o fim do mês, o que o coloca entre os 11 maiores ganhos mensais em dólares desde 2000.
Trata-se do melhor resultado desde novembro de 2020, quando os mercados globais reagiram ao avanço das vacinas contra a covid-19.
A valorização em dólares ainda foi potencializada pela queda da moeda norte-americana frente ao real, que ampliou os ganhos para quem investe no mercado brasileiro no exterior e reforçou o interesse estrangeiro pelos ativos locais.
Fluxo estrangeiro e contexto histórico
Parte desse movimento tem sido atribuída a entrada de capital estrangeiro. Até o dia 27 de janeiro, a B3 registrou ingresso líquido de R$ 21,8 bilhões de investidores estrangeiros, volume equivalente a 81,4% de todo o saldo positivo observado ao longo de 2025.
No recorte histórico, considerando os dados desde 2010, o avanço do Ibovespa no mês figura como o terceiro melhor resultado mensal da série, atrás apenas de março de 2016 e novembro de 2020, períodos associados a fortes mudanças de percepção sobre o cenário econômico e político.
Esse conjunto de fatores tem sido interpretado pelo mercado como um sinal de que o Brasil voltou ao radar dos investidores globais.
A combinação de Bolsa forte, câmbio em queda e fluxo estrangeiro robusto sugere uma redução dos prêmios de risco e uma mudança de preferência dos investidores, que passaram a trocar proteção cambial por exposição mais direta aos ativos domésticos.