Bitcoin no caixa das empresas gera barulho, diz CEO da Financial Move

A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, revelou ter aproximadamente US$ 1,5 bilhão em Bitcoin em seu caixa, informação que veio à tona com a entrega dos documentos para o processo de abertura de capital da companhia.

O caso reforça uma tendência crescente de grandes empresas que passam a incluir a criptomoeda em suas tesourarias.

O anúncio ocorreu em 22 de maio, data conhecida no universo cripto como Bitcoin Pizza Day, que marca o primeiro uso registrado do Bitcoin em uma transação real.

Em 2010, o programador Laszlo Hanyecz comprou duas pizzas pagando 10 mil bitcoins — um valor que, convertido às cotações atuais, representaria bilhões de dólares.

O “barulho” estratégico do Bitcoin nas empresas

Tasso Lago, da Financial Move, avaliou que a decisão de manter Bitcoin em caixa vai além de uma lógica puramente financeira.

Segundo ele, o movimento teve início com a MicroStrategy, cujo fundador defende que o dólar perde poder de compra ao longo do tempo devido à inflação.

“Ele disse claramente que preferiria ter Bitcoin em caixa do que dólar”, explicou Tasso Lago, referindo-se à tese central da estratégia.

Para Tasso Lago, ter Bitcoin na tesouraria “gera um barulho” que, mesmo sem impacto contábil imediato, aumenta a visibilidade da empresa e pode facilitar o acesso ao crédito.

Ele destacou que, no caso da SpaceX, os US$ 1,5 bilhão em Bitcoin representam uma fração pequena do valor total estimado da companhia. “Muitas vezes, o simples fato de você ter Bitcoin, nem que seja 0,5% ou 1%, faz mais barulho do que de fato o percentual é”, afirmou.

Estratégia para grandes players, cautela para empresas médias

Tasso Lago também apontou que a estratégia funciona como um mecanismo indireto de exposição ao mercado cripto.

Fundos e veículos de investimento que não podem deter criptoativos diretamente passam a ter acesso a essa exposição por meio de ações de empresas que mantêm Bitcoin em caixa. Isso, segundo ele, amplia a base de investidores interessados nessas companhias e gera valor adicional para seus papéis.

No entanto, Tasso Lago fez uma ressalva importante para empresas de menor porte. Para o chamado “CNPJ médio”, ele considera que usar o caixa da empresa para comprar Bitcoin equivale a especular com recursos operacionais.

“Aqui no Brasil, muitas pessoas ainda têm problema de capital de giro”, alertou. Ele recomendou que pessoas físicas limitem a exposição a criptoativos a entre 5% e 10% do patrimônio, e que empresários só adotem a estratégia com clareza sobre os riscos envolvidos.

Riscos de concentração e volatilidade

Tasso Lago também chamou atenção para riscos sistêmicos. Ele mencionou que uma única entidade detém cerca de 4% de todo o supply total de Bitcoin, o que representa um risco de concentração relevante.

Uma eventual venda em larga escala poderia pressionar o preço do ativo e afetar empresas que o mantêm em tesouraria. “Em algum momento, a gente pode ter algum estresse de mercado”, disse.

Apesar dos riscos, Tasso Lago avaliou positivamente o cenário geral para o mercado cripto. Ele destacou que grandes instituições financeiras, que anteriormente eram céticas ou contrárias aos criptoativos, estão cada vez mais buscando formas de participar desse ecossistema.

Para ele, “um ambiente descentralizado não se mata”, e a tendência de adoção institucional do Bitcoin deve continuar avançando.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *