Credores da zona do euro com grandes negócios em dólar devem aumentar sua liquidez e seus colchões de capital para resistir a qualquer aperto em uma moeda americana que se tornou mais volátil devido às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse o Banco Central Europeu nesta quarta-feira (24).
O BCE tem dito aos bancos que observem sua exposição ao dólar desde que as tarifas comerciais de Trump e sua pressão sobre o Federal Reserve abalaram a confiança na moeda de reserva mundial.
Na última Análise de Estabilidade Financeira do BCE, a mensagem foi reforçada: os poucos grandes bancos da zona do euro ativos em dólares precisam se preparar.
“Poderá ser necessária uma margem de capital para absorver… a maior volatilidade da moeda e o risco de crédito da contraparte”, disse o BCE no relatório semestral. “Os bancos devem manter ativos líquidos em dólares norte-americanos para contrabalançar as saídas e agir como um intermediário estabilizador.”
O relatório repetiu as advertências sobre as valorizações exageradas do mercado de ações, a dívida elevada, as tarifas comerciais e o aumento das stablecoins como fatores que poderiam colocar em risco a estabilidade do sistema financeiro.
Compilado por economistas, o relatório não equivale a recomendações obrigatórias para os bancos sob supervisão do BCE.
No entanto, ele ressaltou a profundidade da preocupação dos integrantes da autoridade monetária da zona do euro com relação à liquidez em dólares.
“Em um cenário extremo, as saídas de dólares poderiam esgotar sua capacidade de levantar dinheiro por meio de acordos de recompra, swaps cambiais e venda de tais ativos”, disse o BCE, sem explicar como seria esse cenário.
Um cenário de pesadelo — não explicitado na análise — seria o fechamento pelo Fed de sua linha de liquidez de emergência para o BCE, eliminando um mecanismo de apoio com o qual os bancos contam desde a crise financeira.