O ex-presidente do BC (Banco Central), Armínio Fraga, avaliou que o caso envolvendo o Banco Master representa apenas um sintoma de problemas institucionais muito maiores que o Brasil enfrenta atualmente. Em entrevista ao WW, Fraga comentou sobre o embate entre o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Banco Central em torno do caso.
Segundo Armínio Fraga, a situação do Banco Master “pode ir muito longe se de fato as coisas forem expostas na sua plenitude”. No entanto, ele reconheceu não ter condições de avaliar qual a probabilidade disso acontecer, embora torça pela transparência completa do processo.
Problemas institucionais mais amplos
Para o economista, a preocupação maior está relacionada ao funcionamento das instituições brasileiras como um todo. “O que me preocupa mais é uma coisa maior que diz respeito ao funcionamento das nossas instituições em geral”, afirmou. Fraga citou questões importantes que estão surgindo em diferentes esferas, como no STF (Supremo Tribunal Federal), onde o ministro Edson Fachin apresentou proposta para criação de um código de ética.
Ele também mencionou as críticas às decisões monocráticas do STF em casos de grande relevância, o que gera insegurança jurídica. No Congresso Nacional, o economista apontou problemas como falta de transparência e dificuldade em definir grandes prioridades para o país.
Riscos na economia brasileira
Armínio Fraga fez um alerta contundente sobre a situação econômica do Brasil. Apesar de reconhecer três anos de crescimento razoável e baixo desemprego, ele classificou a situação fiscal como “totalmente insustentável”, criticando a falta de avanços significativos do atual governo nessa área.
“O país está com juros de 15%, com uma inflação de 4%. Esse é um sintoma de um paciente que, se não está na UTI, corre o risco de entrar”, alertou Fraga, usando uma metáfora médica para ilustrar a gravidade da situação econômica brasileira.
O ex-presidente do BC também expressou preocupação com a entrada em ano eleitoral, período em que, segundo ele, “os assuntos mais complexos e relevantes são frequentemente cancelados ou objeto de debates populistas”. Ao concluir sua análise, Fraga reforçou que o caso do Banco Master, embora grave, é apenas um sintoma de problemas estruturais muito maiores que o Brasil precisa enfrentar.