Os preços de alimentos básicos no Brasil, como leite, arroz e feijão, recuaram no acumulado de 2025, sinalizando uma desaceleração da inflação de alimentos e trazendo algum alívio ao consumidor. Os dados foram antecipados com exclusividade à CNN Agro pela Neogrid, empresa de gestão da cadeia de suprimentos.
O levantamento aponta quedas expressivas nos preços do feijão, que recuou 31%, e do arroz branco, com baixa de 25,5%. Também ficaram mais baratos o azeite de oliva, com retração de 19,6%, e o leite, cujo preço caiu 9% no período. Apesar disso, o abastecimento desses produtos nas gôndolas apresentou oscilações ao longo do ano, segundo o Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo.
Em 2025, o indicador registrou média anual de 12,28%, abaixo dos 13,09% observados em 2024. O resultado reflete desafios pontuais no abastecimento do varejo alimentar, sobretudo no fim do ano, período em que parte da indústria reduz o ritmo de produção e de entregas, explica Robson Munhoz, chefe de relacionamento estratégico da Neogrid.
No caso do leite, a taxa média de ruptura ficou em 11,6%. Ainda assim, os preços atingiram os menores níveis do ano. De acordo com a Neogrid, o leite integral recuou de R$ 5,31 em novembro para R$ 4,99 em dezembro, enquanto o leite desnatado caiu de R$ 5,44 para R$ 5,18 no mesmo intervalo.
A indisponibilidade do feijão fechou 2025 com média anual de 7,3% e encerrou o ano em trajetória de alta, alcançando o segundo maior patamar anual. Apesar disso, os preços médios ficaram nos menores níveis do período. O feijão-preto iniciou 2025 a R$ 8,84 e terminou dezembro cotado a R$ 6,10, queda de 31%. O feijão-fradinho recuou 17%, de R$ 10,04 para R$ 8,33, enquanto o feijão-vermelho caiu 14,5%, passando de R$ 14,89 para R$ 12,73.
O arroz também figurou entre os itens com elevação na ruptura, com média anual de indisponibilidade de 7,7%. Ainda assim, os preços recuaram ao longo do ano. O arroz branco teve queda de 25,5%, ao passar de R$ 7,15 por quilo em janeiro para R$ 5,33 em dezembro. O arroz integral apresentou retração mais moderada, de 7,7%, de R$ 12,13 para R$ 11,20. Já o arroz parboilizado registrou recuo de 26,4%, de R$ 6,71 para R$ 4,94.
Ovos e azeite
Com a maior redução entre as categorias analisadas, os ovos de aves foram mais impactados por fatores externos, como restrições temporárias às exportações em razão de casos de gripe aviária registrados em outros países, o que influenciou a dinâmica de oferta no varejo brasileiro em 2025. O índice de Ruptura havia alcançado o pico anual em março, com 24,5%, e encerrou dezembro no menor patamar do ano — o mesmo observado em janeiro.
O azeite também apresentou melhora no abastecimento. A categoria atingiu o maior índice em junho de 2025, com 10,4%, e, desde então, passou a operar em patamares progressivamente mais baixos. No acumulado do ano, a média anual de ruptura do azeite foi de 8,4%.
Os preços acompanharam esse movimento. O azeite de oliva extravirgem registrou queda de 19,6%, ao passar de R$ 116,20 em janeiro para R$ 93,40 em dezembro. Já o azeite de oliva virgem teve recuo ainda mais intenso, de 23,4%, de R$ 98,23 para R$ 75,23 no mesmo período.