Donald Trump dedicou parte de seu discurso nesta segunda-feira (2) para tentar justificar os recentes ataques militares americanos contra o Irã. Segundo análise do especialista Américo Martins, o presidente americano fez afirmações sem evidências para legitimar as operações militares ordenadas por seu governo.
Durante sua fala, Trump declarou que esta foi “a melhor e última chance para lidar com o regime iraniano”, referindo-se aos bombardeios autorizados no ano passado. O presidente americano voltou a mencionar os ataques realizados em junho, quando ordenou que as forças armadas americanas bombardeassem três posições diferentes no Irã, supostamente locais onde os iranianos pretendiam desenvolver armas nucleares.
Na época dos primeiros ataques, Trump havia feito declarações contundentes, afirmando que tinha “obliterado completamente a ameaça nuclear iraniana” e que demoraria décadas para o Irã voltar a ter capacidade de enriquecer urânio com finalidade bélica.
Contraditoriamente, aponta Martins, agora alega que o país estaria novamente tentando desenvolver armas nucleares e mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.
Ausência de evidências para justificar ataques
Américo Martins destacou que “não há evidência nenhuma dessas afirmações do presidente Donald Trump”.
O analista explicou que, do ponto de vista da legislação internacional, os ataques americanos e israelenses contra o Irã só seriam justificáveis em duas circunstâncias: “Se tivessem (EUA e Israel) um mandato internacional do Conselho de Segurança da ONU, não tem. Ou se tivessem uma ameaça imediata de ataque contra eles, e essa ameaça também não está clara.”
Pelo contrário, segundo o especialista, o Irã estava tentando negociar com os Estados Unidos para evitar o conflito quando acabou sendo atacado. As verdadeiras motivações para as operações militares, na visão do analista, seriam a intenção de provocar mudanças no regime iraniano e a oportunidade surgida quando parte da liderança política e militar do país estava reunida.
Na prática, segundo Martins, o presidente está implementando o que chegou a escrever nas políticas de defesa e segurança nacional dos Estados Unidos: “O uso da força para impor os desejos e os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”.