Análise: Trump pondera envolvimento em negociações entre Rússia e Ucrânia

Apenas 72 horas após o encontro com Putin no Alasca, Donald Trump reuniu sete líderes europeus e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na Casa Branca, afastando-se para telefonar para seu homólogo russo enquanto buscava negociar a paz.

Mas, desde então, o progresso desacelerou drasticamente. E, em público, Trump às vezes minimizou o papel que teria que desempenhar para pôr fim à guerra — ou mesmo para trazer russos e ucranianos à mesa de negociações.

Autoridades do governo afirmaram à CNN que o presidente americano está particularmente irritado com o ritmo das negociações e a falta de progresso após seu encontro com o líder russo.

“Tem que ser eles. É preciso dois para dançar tango”, disse Trump na segunda-feira (25), em resposta a perguntas sobre se a Rússia se comprometeu a se reunir com Zelensky.

Nova ofensiva russa

Como Trump vem observando em particular, Putin não deu sinais de que pretende encerrar a implacável campanha de bombardeios de seu país contra a Ucrânia.

Esta semana, ocorreu um dos ataques mais mortais contra a Ucrânia desde o início da guerra, com pelo menos 25 mortos, incluindo quatro crianças, segundo Zelensky.

Trump “não ficou feliz com a notícia, mas também não ficou surpreso”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos repórteres após o ataque, acrescentando que Trump estava observando os acontecimentos “atentamente”.

Normalmente imparcial em suas condenações, o próprio Trump permaneceu notavelmente silencioso — mesmo com líderes europeus expressando indignação com as ações da Rússia, que danificaram prédios da União Europeia e do British Council. Como resultado, tanto a UE quanto o Reino Unido convocaram diplomatas russos de alto escalão em suas capitais.

Ameaça de sanções e novos prazos

No passado, Trump ameaçou Putin com “consequências severas” caso ele não encerrasse a guerra.

Na semana passada, ele disse que saberia em “duas semanas” se a Rússia estava falando sério sobre entrar em negociações — invocando um prazo que ele cita com frequência , mas que só o vê chegar e passar sem nenhuma ação. Mas, nesses mesmos comentários, ele ventilou a possibilidade de se retirar completamente, uma possibilidade que ele ainda não descartou, disseram autoridades.

Depois dessas duas semanas, Trump disse: “Vou tomar uma decisão sobre o que faremos. … será uma decisão muito importante, e é se serão sanções massivas ou tarifas massivas, ou ambos, ou se não faremos nada e diremos: ‘A luta é de vocês'”.

Pressionado pela CNN sobre se está considerando seriamente não fazer nada, Trump disse:

“Vou ver de quem é a culpa. Se houver motivos, eu entenderei. Sei exatamente o que estou fazendo. Vamos ver se eles têm ou não uma reunião, será interessante ver, e se não tiverem, por que não tiveram uma reunião? Porque eu disse para eles terem uma reunião. Mas saberei em duas semanas o que vou fazer.”

Governo Trump pondera decisão

Enquanto a Casa Branca continua a ponderar suas opções, Steve Witkoff, enviado estrangeiro de Trump, reuniu-se na sexta-feira (29) com autoridades ucranianas na cidade de Nova York, antes da reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Kiev.

Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial e chefe de gabinete da Ucrânia, e Sergiy Kyslytsya, primeiro vice-ministro das Relações Exteriores, estavam entre os presentes. A reunião ocorreu um dia após o governo Trump aprovar a venda de 3.350 mísseis Munição de Ataque de Alcance Estendido (ERAM) para a Ucrânia, no valor de US$ 825 milhões.

A questão crucial é se o governo conseguirá mediar com sucesso um encontro bilateral entre Putin e Zelensky, que o líder americano tem defendido agressivamente tanto em conversas públicas quanto privadas.

Altos funcionários da Casa Branca, incluindo Witkoff e o Secretário de Estado Marco Rubio, afirmaram que tal encontro seria o próximo passo necessário para negociar o fim da guerra.

“Líderes mundiais afirmaram que o presidente Trump fez mais progresso em direção à paz em duas semanas do que Joe Biden em três anos e meio”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, à CNN em um comunicado.

“A equipe de segurança nacional do presidente Trump continua se reunindo com autoridades russas e ucranianas para uma reunião bilateral a fim de interromper a matança e encerrar a guerra.”

Embora Zelensky tenha concordado com um encontro pessoal com Putin, o Kremlin até agora jogou água fria na ideia, deixando as negociações mais amplas sobre como avançar em um impasse.

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