Análise: Toffoli muda postura no caso Master com aumento da crise do STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (11) que não participará do julgamento sobre a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão marca uma mudança significativa na postura do ministro em relação ao caso Master, que investiga uma suposta fraude financeira.

Conforme análise de Jussara Soares, no CNN Prime Time, essa mudança de comportamento é notável, considerando que há aproximadamente um mês, em meados de fevereiro, Toffoli havia decidiu manter a relatoria de toda a investigação do caso Master no STF. Na ocasião, foi necessária uma reunião extraordinária com ministros do STF para convencê-lo a desistir da relatoria.

Porém, ele acabou deixando o caso após a PF (Polícia Federal) levar ao presidente da Corte, Edson Fachin, menções a Toffoli localizadas no celular de Vorcaro. Na ocasião. foi necessária uma reunião extraordinária com ministros do STF para convencê-lo a desistir da relatoria.

Toffoli foi respaldados por colegas que, por meio de uma nota, disseram que não havia motivo para suspeição ou impedimento. Ou seja, o ministro ficou apto a seguir julgando o caso como integrante da segunda turma.

“Fica muito clara essa mudança de postura como uma consequência da crise no STF a partir da investigação da fraude financeira do Banco Master”, afirmou Jussara.

A situação se agravou após revelações sobre as relações que o empresário Daniel Vorcaro mantinha com autoridades do STF. Embora os ministros não sejam formalmente citados como investigados, as suspeitas têm pressionado intensamente a corte. Toffoli, que inicialmente afirmava a aliados não haver motivo para se afastar do caso, mudou de posição após a revelação de que ele tinha relação com o grupo Maridt, que era dono do resort Tayaya, posteriormente negociado com um fundo ligado ao Banco Master.

Dupla declaração de suspeição

No mesmo dia em que se declarou suspeito no julgamento sobre a prisão de Vorcaro, Toffoli também se manifestou impedido de julgar a ação movida pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para tentar passar a CPI no STF. Na decisão, o ministro reproduziu toda a carta publicada anteriormente pelos ministros do STF, na qual afirmavam que os trabalhos estavam perfeitos e não havia motivo de suspeição.

A mudança de postura de Toffoli é interpretada como uma tentativa do STF de conter os danos causados pela crise institucional decorrente da investigação da fraude financeira do Banco Master e das relações entre o empresário Daniel Vorcaro e integrantes da corte.

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