O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (10) a aplicação de uma tarifa adicional de 100% sobre as importações da China, provocando fortes reações nos mercados financeiros globais e renovando um cenário de incertezas econômicas. Segundo a analista de Economia da CNN Thais Herédia, durante o CNN Arena, medida reacendeu um ambiente de incerteza semelhante ao observado com as primeiras tarifas anunciadas. “Uma consequência é a renovação de um ambiente de incerteza global muito forte”, disse a analista.
As bolsas americanas registraram seu pior desempenho desde abril, período em que Trump havia apresentado uma tabela com tarifas, explica Herédia. O impacto foi sentido em diversos ativos financeiros ao redor do mundo, mesmo antes da confirmação oficial da taxa de 100%, que foi divulgada após o fechamento dos mercados ocidentais.
“A tarifa de 100% saiu já com os mercados do Ocidente fechados, mas as ameaças já haviam sido feitas desde cedo”, afirmou Herédia. Como é sexta-feira, os mercados permanecerão fechados durante o fim de semana.
A decisão surge após um aparente rompimento do acordo estabelecido em junho entre os dois países, que previa uma trégua de 90 dias nas hostilidades comerciais. A China havia anunciado restrições à exportação de minerais críticos, essenciais para a produção de semicondutores e baterias, enquanto os Estados Unidos mantêm o controle sobre a tecnologia de chips, criando um cenário de pressão mútua.
Como impacta o Brasil?
No Brasil, o impacto foi imediato, com o dólar registrando uma alta expressiva de aproximadamente 2,5%. A situação gera preocupações sobre os possíveis desdobramentos nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em setores como café e carnes, que contam com forte lobby americano. A princípio, o Brasil continua mantendo seu lugar na mesa de negociações.