O mundo acompanha com atenção os desdobramentos no Irã após a morte do líder supremo Ali Khamenei, confirmada por Donald Trump. Em análise para a CNN Brasil, o especialista em assuntos internacionais Lourival Sant’Anna avalia que a maioria da população iraniana deseja uma mudança significativa na estrutura do regime.
De acordo com Sant’Anna, que esteve quatro vezes no Irã, sendo a última em 2018, os sinais de rejeição ao regime já eram evidentes. “Naquela época eu já via os iranianos conversando comigo, que era um estrangeiro, um jornalista estrangeiro, abertamente sobre a sua rejeição ao regime, algo que era novo”, relatou.
O analista destaca que a insatisfação popular tem crescido consistentemente ao longo dos anos. “Sempre houve uma rejeição, mas ela foi aumentando ao longo desses anos. Então, o Irã está, sim, muito maduro para uma mudança de regime”, afirmou Sant’Anna.
Desafios para uma transição
Apesar do desejo popular por mudanças, o especialista aponta obstáculos significativos para uma efetiva transformação política no país. “O Irã está maduro para uma mudança de regime do ponto de vista do desejo da população, mas não está do ponto de vista militar”, explicou.
Sant’Anna ressaltou que “não há grupos armados de oposição substanciais para enfrentar a guarda revolucionária. Não há partidos organizados, não há lideranças visíveis”. Essas ausências, segundo ele, representam barreiras importantes para qualquer processo de transição política no país.
No cenário atual, Massoud Pesachian, eleito em 2024, surge como uma figura moderada no espectro político iraniano. Segundo o analista, Pesachian foi eleito com o mandato específico de negociar com o governo americano um novo acordo nuclear, o que indica uma possível abertura para diálogos internacionais, ainda que dentro dos limites do atual sistema político.