O governo dos Estados Unidos tem afirmado que o Irã está perdendo capacidade de mísseis e já não consegue realizar disparos de médio alcance contra Israel e países do Golfo. No entanto, um desafio significativo permanece: os drones iranianos, especialmente os modelos Shahed.
Segundo análise de Américo Martins, analista sênior internacional da CNN durante o CNN Newsroom neste sábado (7), enquanto os americanos destacam a redução nos ataques com mísseis iranianos nos últimos dias, ignoram o fato de que o Irã continua sendo uma potência na produção e no uso de drones. Os Shahed, fabricados pelo Irã, são responsáveis pela maior parte da destruição nos ataques contra vários países do Golfo.
Foi justamente esse tipo de drone que atingiu uma base militar americana no Kuwait, resultando na morte de seis militares dos EUA – aparentemente as únicas vítimas militares americanas desde o início do conflito.
Os mesmos equipamentos também foram utilizados para atacar a principal refinaria da Arábia Saudita, que teve sua produção temporariamente suspensa, e instalações de gás natural no Catar, maior exportador mundial de gás.
Guerra assimétrica e revolução nos conflitos
Os drones Shahed têm custo relativamente baixo, entre 20 e 30 mil dólares, em comparação aos mísseis que podem custar milhões. Esta disparidade cria uma guerra assimétrica, onde o Irã utiliza novas tecnologias para combater adversários militarmente mais fortes, estratégia semelhante à empregada pela Ucrânia contra a Rússia.
O uso desses equipamentos causa significativos danos econômicos aos oponentes, já que para derrubar esses drones baratos – alguns sequer carregando explosivos – os Estados Unidos, Israel e aliados da OTAN precisam utilizar mísseis antiaéreos de alto custo ou mobilizar caças para interceptá-los.
A eficácia dos drones iranianos é tão notável que estão sendo copiados, inclusive pelos Estados Unidos. O Irã exportou milhares dessas unidades para a Rússia, que os utiliza em ataques contra a Ucrânia. Essa tecnologia está revolucionando os conflitos ao redor do mundo, mudando fundamentalmente a forma como os exércitos combatem.
Com uma reserva estimada em milhares de drones e capacidade de produção contínua a baixo custo, o Irã continuará representando uma ameaça significativa para os países do Golfo e para os Estados Unidos. Mesmo que Washington continue afirmando ter destruído as capacidades de mísseis iranianos, o país permanecerá vulnerável a esse tipo de equipamento que já revolucionou a guerra na Ucrânia e agora transforma os conflitos no Oriente Médio.