Análise: Discurso de Fachin no STF foi duro e com recados a Toffoli

O discurso do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, durante a cerimônia de abertura do ano Judiciário, foi marcado por duras críticas e recados implícitos ao ministro Dias Toffoli. A análise foi feita pelo analista Matheus Teixeira, no Bastidores CNN, que destacou pontos importantes da fala de Fachin.

Segundo Teixeira, o discurso foi “duríssimo” e os recados a Toffoli eram evidentes para quem acompanhou o noticiário nas últimas semanas. “Ele fala na questão de legitimidade, ou seja, para o Poder Judiciário funcionar e agir corretamente, ele precisa de legitimidade acima de tudo“, explicou o analista, acrescentando que Fachin questionou como as decisões do Supremo serão respeitadas se a população não vê legitimidade nesse poder.

Um dos pontos centrais do discurso foi a necessidade de prestação de contas por parte dos ministros. Teixeira destacou que, apesar de não serem eleitos como deputados ou senadores, os ministros do STF precisam prestar contas. Fachin citou o jurista italiano Piero Calamandrei em uma frase que, según o analista, dificilmente pode ser desvinculada da atuação de Toffoli: “Não é honesto quando se fala dos problemas da justiça refugiar-se atrás da cômoda frase feita que diz ser a magistratura superior a qualquer crítica e a qualquer suspeita, como se os magistrados fossem criaturas sobre-humanas”.

Recuo em relação à imprensa

Matheus Teixeira também identificou no discurso de Fachin um recuo em relação à postura adotada anteriormente com a imprensa. Na semana passada, uma nota do STF havia sugerido que a imprensa estaria unida com parte da classe política para atacar o Supremo. “Hoje ele faz um remendo no que tinha dito semana passada e diz que as críticas da imprensa são, sim, honestas e devem ser escutadas”, analisou.

O analista ressaltou que o discurso de 11 páginas está “recheado de recados” que ainda estão sendo analisados ponto a ponto. Teixeira concluiu que há muito mais nas entrelinhas do que foi dito por Fachin durante a cerimônia, indicando possíveis desdobramentos internos no STF após essa manifestação pública do presidente da corte.

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