A reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) terminou sem consenso, evidenciando a profunda divisão política que existe na América Latina após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela.
De acordo com a analista política Jussara Soares, no CNN Prime Time, o encontro já era previsto para terminar sem um comunicado único, refletindo a fragmentação que existe há muito tempo no bloco. “Essa reunião da Celac terminou como previsto, sem nenhum tipo de consenso. Afinal de contas, o bloco já está fragmentado há muito tempo”, explicou.
A analista destacou que a última reunião da Celac também havia terminado sem consenso, com um comunicado que não foi endossado por Argentina, Paraguai e Nicarágua, o que demonstra a falta de unidade entre os 33 países que compõem o grupo.
Durante o encontro, cada nação manifestou seu posicionamento sobre o ataque americano ao território venezuelano. O Brasil reafirmou o que havia sido declarado anteriormente por Lula (PT), considerando a ação dos Estados Unidos como “inaceitável” e um “precedente perigoso”. Por outro lado, a Argentina fez “a defesa mais enfática da ação dos Estados Unidos”, enquanto outros países como Bolívia e Equador seguiram uma linha mais discreta em apoio à posição americana.
Nota conjunta de países aliados
Segundo informações apuradas com fontes da diplomacia brasileira, um dos pontos mais importantes foi uma nota emitida antes mesmo da reunião da Celac, assinada por Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai. O documento demonstra a preocupação desses países com as ações militares e defende que o processo político na Venezuela deve ser liderado pelos próprios venezuelanos.
A nota também faz um alerta sobre a declaração de Donald Trump, que mencionou a possibilidade de criar um governo interino na Venezuela e controlar o petróleo do país. Este posicionamento conjunto de nações majoritariamente governadas por líderes de esquerda ressalta a preocupação com a soberania venezuelana e com possíveis interesses econômicos por trás da intervenção americana.