Análise: A reação da Rússia à guerra no Oriente Médio

O conflito crescente no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã tem provocado reações cautelosas da Rússia, que observa os desdobramentos com interesse estratégico. Especialistas avaliam que o Kremlin adota uma postura de não interferência direta, aproveitando-se da dispersão de recursos militares e diplomáticos do Ocidente.

O assunto foi analisado no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h), na última sexta-feira (6). Segundo analistas, Vladimir Putin não tem interesse em um confronto direto com os Estados Unidos, especialmente diante da possível volta de Donald Trump ao poder.

“Não acredito na possibilidade de um confronto direto. Não interessa à Rússia nem à China e, obviamente, também não aos Estados Unidos”, avaliou Lourival Sant’Anna durante o debate.

A estratégia russa parece seguir a máxima da Arte da Guerra: “Se o seu inimigo está cometendo um erro, não interfira”. Dessa forma, Moscou observa com atenção o desgaste dos recursos militares americanos no Oriente Médio, o que potencialmente beneficia seus interesses na Ucrânia.

Com a degradação do equipamento militar americano e o uso dos estoques para o conflito no Irã, fica mais difícil para os Estados Unidos continuarem fornecendo ajuda substancial à Ucrânia.

Impactos na guerra da Ucrânia

O conflito no Oriente Médio pode elevar as pressões de Trump sobre Zelensky caso o republicano vença as eleições americanas. “Para o Putin é o momento de jogar parado, esperar a elevação das pressões do Trump sobre o Zelensky e a redução da ajuda militar dos Estados Unidos para a Ucrânia”, destacou um dos participantes do debate.

A dispersão de energia econômica, militar e política dos Estados Unidos no Oriente Médio aumenta a impaciência com o conflito Rússia-Ucrânia. Trump já sinalizou que considera excessivos os gastos americanos com a Ucrânia, preferindo focar recursos no novo conflito que se desenvolve no Oriente Médio.

Além disso, a Europa também percebe uma maior instabilidade no Oriente Médio, o que pode levar os países europeus a guardarem seus estoques de armamentos em vez de enviá-los à Ucrânia. Esse cenário é descrito pelos analistas como “muito ruim para a Ucrânia e muito bom para a Rússia” no plano tático imediato.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes seguem neste domingo.

Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.

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