“Abreviar o sofrimento”, diz enfermeiro em depoimento sobre injeção letal

O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa, suspeito de ter matado três pacientes com injeções letais em Brasília, apresentou versões contraditórias nos depoimentos dados à Polícia Civil do Distrito Federal.

Primeiro ele negou participação no caso, segundo apurou a CNN Brasil. Após ser confrontado com imagens do circuito interno de TV, disse que queria “abreviar o sofrimento dos pacientes”. Em seguida, culpou o nervosismo e o estresse provocados pelo tumulto no hospital durante os plantões.

Marcela Camilly Alves da Silva, outra suspeita de envolvimento nos crimes, relatou a um dos delegados que apuram o caso que não sabia o que o colega estava aplicando nos pacientes. Ela teria dito estar arrependida de não ter avisado a equipe do hospital.

Amanda Rodrigues de Sousa foi a única que negou participação no esquema. Em depoimento, conforme os investigadores, ela disse acreditar que Marcos aplicava “medicamentos normais” nos pacientes.

Marcos Vinícius é investigado por administrar doses letais de medicamentos a pacientes internados na UTI, com o objetivo de matá-los. Segundo a Polícia Civil, ele atuava há pelo menos cinco anos como técnico de enfermagem. Em uma das tentativas, quando não obteve sucesso, ele recorreu a uma medida extrema, injetando desinfetante na veia de uma das vítimas.

Marcela e Amanda estão sendo investigadas por negligência e possível coautoria nos crimes. Conforme apontam as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas era amiga de longa data de Marcos. Já Marcela era nova na instituição e recebia instruções do técnico acerca do serviço no setor.

Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que, ao perceber irregularidades em três óbitos ocorridos na UTI, instaurou uma investigação interna. A partir das conclusões do processo interno, foi solicitado o início de um inquérito policial.

“Os três técnicos de enfermagem foram demitidos após a apuração, e as famílias das vítimas foram notificadas, sendo fornecidas as explicações necessárias de forma transparente e cuidadosa”, informou a unidade hospitalar.

A Polícia Civil revelou que, em um dos casos, um técnico de 24 anos utilizou a conta de um médico para acessar o sistema do hospital, prescrevendo um medicamento errado. Ele retirou a substância da farmácia e administrou nas três vítimas, sem a consulta da equipe médica. As aplicações ocorreram em duas datas: 17 de novembro do ano passado e 1º de dezembro. Para tentar encobrir sua ação, o técnico ainda realizava massagens cardíacas nos pacientes, simulando tentativas de reanimação.

A CNN Brasil tenta localizar as defesas dos suspeitos.

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