Seis meses após o início das tensões no Oriente Médio, o cenário aponta para uma crise prolongada, sem perspectiva de resolução no curto prazo. É o que avalia Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, ao WW.
Segundo Rudzit, a situação atual não configura formalmente uma guerra, mas os países envolvidos encontram-se em clara beligerância. “Estamos em uma situação que oficialmente não está em guerra, não está tendo bombardeio, mas os dois países estão em uma situação de beligerância, com certeza”, afirmou o especialista.
Coerção econômica como novo instrumento
O professor avalia que o principal instrumento a ser utilizado pelo governo do presidente americano, Donald Trump, a partir de agora será o aperto econômico sobre o Irã.
“O instrumento agora que o governo Trump vai usar é tentar apertar cada vez mais economicamente o Irã”, disse Rudzit. No entanto, ele aponta um obstáculo central nessa estratégia: a China, maior parceira comercial iraniana.
Segundo o especialista, a questão é se Pequim aceitará a imposição de sanções contra suas empresas — especialmente as de grande porte. “Pequenas refinarias, pequenas empresas, bancos, até pode ser. Mas não é isso que vai sufocar o regime iraniano”, ponderou.
Ordem invertida das ações de Trump
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna destacou que Trump teria invertido a lógica tradicional das potências ao lidar com crises internacionais. Normalmente, países como os Estados Unidos recorrem primeiro à coerção econômica e, somente diante de resultados insatisfatórios, partem para ações militares.
Neste caso, o caminho teria sido o oposto: “O Trump fez o contrário, fez primeiro a coerção militar, não deu certo, agora ele está tentando apertar o Irã economicamente”, observou o participante da entrevista.