O que funciona melhor no vestibular: estudar o ano todo ou na reta final?

Enquanto muitos estudantes deixam para estudar na véspera das provas, coordenadores pedagógicos afirmam que a preparação ao longo de todo o ano traz melhores resultados no vestibular. Na prática e na psicologia cognitiva, a constância potencializa a retenção, reduz a ansiedade e prepara melhor o estudante do que o intensivão de última hora.

Parte da explicação para essa afirmação está na sensação de urgência que se intensifica com a proximidade do Enem e dos vestibulares. Aí muita gente pensa: “ok, vacilei antes, mas ainda dá pra correr atrás”. Essa sensação cria um impulso de concentrar tudo nas últimas semanas.

O problema é que esse “modo turbo” engana um pouco. Ele dá a impressão de produtividade — porque se estuda muito em pouco tempo —, mas ignora um limite real do cérebro: ele não consegue absorver e organizar tanta informação de uma vez. É o que os especialistas chamam de sobrecarga cognitiva.

Segundo o coordenador pedagógico do Colégio Santa Catarina, Elvis Miranda Silveira, “quem deixa para última hora enfrenta maior sensação de sobrecarga, dificuldade para organizar prioridades, ansiedade e alteração na qualidade do sono”, explica ele em um comunicado.

Esses fatores interferem diretamente no resultado das provas. Enquanto estudar aos poucos, com constância e ao longo do tempo permite que seu cérebro trabalhe com mais calma, “maratonar” conteúdo perto da prova gera um estado de alerta permanente. Resultado: pior retenção e mais estresse.

O que dizem os estudos sobre rotina e retenção de conteúdo?

Existe uma ideia estudada há muito tempo que explica por que estudar aos poucos funciona melhor. Criado e publicado em 1885 pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus, o conceito mostra que a aprendizagem é mais eficaz e duradoura quando as sessões de estudo ou repetição são distribuídas ao longo do tempo, em vez de concentradas em poucas sessões.

Embora já se saiba, desde Ebbinghaus, que espaçar o estudo melhora a memória e constrói conhecimento, parte dos estudantes ainda aposta na prática oposta — conhecida como cramming (estudar de última hora). Ainda que a técnica ajude a passar em uma prova imediata, ela não fixa conteúdo e dificulta o desempenho quando a questão exige raciocínio, em vez de só memória.

Segundo Silveira, “o que diferencia os alunos que têm sucesso nas avaliações acadêmicas é a consistência da rotina. Os estudantes que já vinham estudando de forma regular apresentam maior chance de êxito, independentemente do curso escolhido”.

É justamente essa constância que a escola busca desenvolver no dia a dia. Para isso, utiliza avaliações diagnósticas e simulados para orientar o planejamento, mapear habilidades a retomar e guiar intervenções ao longo do ano. O aumento de produções na Redação Nota Mil reforça a importância dessa prática contínua.

Como construir uma preparação mais eficiente para o vestibular?

Para o coordenador Elvis Miranda Silveira, a rotina ideal de estudos não significa que basta o aluno sentar e estudar mais horas por conta própria. É preciso que a escola organize o ensino com uma sequência lógica: quais conteúdos serão trabalhados, quando serão revisados e como serão aprofundados.

Segundo o especialista, a preparação para o Enem deve começar já no 1º ano do Ensino Médio, com aulas direcionadas, simulados presenciais e online e revisões periódicas. Em vez de só olhar a nota, o estudante pode analisar quais conteúdos errou, quais habilidades ainda não domina e onde precisa concentrar esforços.

Além disso, os simulados podem funcionar como um “treinamento” para a prova, ajudando o estudante a entender sua própria metodologia de aprendizagem, administrar o tempo disponível e desenvolver estratégias para lidar com situações de pressão no dia da prova.

Tão importante quanto a preparação do conteúdo estudado, o equilíbrio emocional também inclui dormir bem, descansar e cuidar da ansiedade. Afinal, o esforço na reta final tem sua utilidade — só que rende mais quando vem após meses de estudo constante.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *