Ligue 180 registra mais de um milhão de atendimentos em 2026, alta de 90,8%

O Ligue 180, serviço público para o enfrentamento à violência contra as mulheres, registrou 1.035.647 atendimentos entre janeiro e julho de 2026. Uma média de 4.884 por dia. No mesmo período de 2025, esse número foi de 542.737 atendimentos, um aumento de 90,8%.

O número dos sete primeiros meses de 2026 equivale a 95% do total alcançado em 2025 como um todo, que foi de 1.088.460 atendimentos.

Segundo o Ministério das Mulheres, o total de atendimentos não significa o número de pessoas atendidas, já que uma única ligação pode gerar mais de um atendimento. Quando a mulher pede informação e, na mesma chamada, faz uma denúncia, cada ação gera um protocolo diferente, por exemplo.

Do total de atendimentos em 2026, quase 100 mil correspondem a denúncias de violência de gênero. O estado com maior demanda é São Paulo, seguido do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

Segundo o painel de dados do Ligue 180, a violência psicológica é o tipo de violência mais denunciada, correspondendo a 35% das denúncias, seguido de violência doméstica, de condutas previstas na Lei Maria da Penha, que equivale a 24,5% das ligações, e violência física, com 18%.

No ambiente digital, em 2026, o Ligue 180 registrou mais de 4 mil denúncias de violência no ambiente digital, o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2025. Diante da escalada dos casos, o governo promoveu uma reformulação do Ligue 180 para adequar o atendimento às novas formas de violência praticadas no ambiente digital.

As mudanças incluem a capacitação das atendentes para identificar e acolher esse tipo de ocorrência. A iniciativa integra as ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes pelo Enfrentamento ao Feminicídio, lançado em fevereiro desse ano pelo governo federal.

A lei que determinou a criação do canal 180 é de 2003. A iniciativa saiu do papel em novembro de 2005 e completou 20 anos no ano passado. O número é o mesmo para todo o país e a ligação é gratuita.

Em agosto deste ano, a Lei Maria da Penha completou duas décadas. A proteção às mulheres também tem recebido maior destaque em 2026 com o período eleitoral. Medidas para o aumento de penas e endurecimento no combate ao feminicídio são algumas das propostas apresentadas por candidatos.

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