Checklist do carro usado: saiba o que avaliar antes de fechar negócio

A compra de um veículo seminovo ou usado continua sendo uma das alternativas mais procuradas pelos brasileiros para economizar, já que os carros zero-quilômetros costumam ter preços mais altos. Porém, o processo exige atenção com alguns pontos, principalmente relacionados às condições de conservação.

Para evitar surpresas e custos não previstos na oficina logo após a aquisição, é interessante realizar uma inspeção rigorosa antes de efetuar a compra. A seguir, a CNN Brasil preparou um guia com os principais pontos que devem ser checados. Confira.

1. Lataria e estrutura

A primeira análise deve ser feita com o carro limpo e em local bem iluminado, de preferência sob a luz do dia.

Observe as frestas entre o capô, as portas, os para-lamas e a tampa do porta-malas. Os vãos devem ter exatamente a mesma largura ao longo de toda a extensão. Assimetrias ou folgas desiguais costumam indicar que o veículo passou por colisões e reparos estruturais.

Além disso, é interessante verificar a pintura e possíveis ondulações, que podem apontar para o uso de massa para cobrir amassados ou arranhões. Diferenças sutis de tonalidade entre peças vizinhas também indicam repintura.

2. Hodômetro vs. desgaste real

A prática de “tombar a quilometragem” ainda é existente no mercado de usados e consiste na adulteração do painel de instrumentos para reduzir a quantidade de km que o carro já andou. O estado de conservação da cabine é o principal indicador de coerência em relação aos números do painel.

Um carro que marca relativamente baixa quilometragem (como 30 mil ou 40 mil km), mas apresenta o couro do volante descascado, borracha dos pedais desgastada até o metal e manopla do câmbio gasta, provavelmente teve o hodômetro adulterado. Este nível de desgaste sinaliza rodagem de, ao menos, 80 mil km.

Além disso, na base de fixação dos cintos de segurança, há uma etiqueta de pano que informa o ano de fabricação da peça. Esse ano deve ser idêntico ou anterior ao ano de fabricação do veículo. Se o cinto for mais novo que o carro, a peça foi substituída, o que geralmente ocorre em colisões graves em que os pré-tensionadores foram acionados.

3. Verificação dos fluidos com o motor frio

Com o motor desligado e frio, abra o compartimento do motor para checar a saúde dos componentes mecânicos básicos.

Retire a tampa de abastecimento de óleo e observe a parte interna. Caso note uma borra esbranquiçada ou pastosa (com aspecto semelhante a café com leite ou doce de leite), há vazamento na junta do cabeçote, com contaminação do óleo pelo líquido de arrefecimento.

Também vale checar o reservatório de expansão. Para isso, inspecione o vaso transparente do sistema de arrefecimento. O fluido deve estar limpo e apresentar cor característica de aditivo (rosa, verde ou azul). Se a água estiver turva ou marrom, com tom de ferrugem, o sistema operou apenas com água de torneira, o que causa corrosão interna no motor.

4. Test drive silencioso

Durante o teste de rodagem, a orientação principal é desligar o sistema de som e fechar os vidros para identificar ruídos estranhos. Para analisar o comportamento da suspensão, uma dica é trafegar por vias irregulares ou paralelepípedos. Estalos, batidas secas ou rangidos indicam folga em buchas, bieletas ou amortecedores no fim da vida útil.

Em carros manuais, certifique-se de que o engate das marchas é preciso e suave. Em modelos automáticos, observe se ocorrem trancos fortes ao mover a alavanca entre as posições “P”, “R”, “N” e “D”, ou se há patinação durante as trocas com o veículo em movimento.

5. Documentação

Antes de efetuar qualquer transferência ou pagamento de sinal, exija a realização de uma vistoria cautelar por uma empresa credenciada.

O laudo cautelar checa o histórico de sinistros, passagem por leilão, registro de roubo ou furto, e valida a autenticidade da numeração do chassi e do motor. Caso o vendedor ou lojista demonstre resistência em permitir a realização do laudo, a orientação dos especialistas é interromper a negociação.

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