As empresas estatais brasileiras registraram déficit de R$ 1,5 bilhão em junho, segundo dados do relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central (BC).
O resultado negativo, concentrado em 11 empresas, aumenta a preocupação dos investidores com a capacidade do governo de controlar gastos e sobre a situação fiscal do País.
Entre as companhias que chamam atenção estão os Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Para Thiago Godoy, apresentador do Resenha do Dinheiro, o cenário merece atenção especialmente de quem investe em títulos emitidos por essas empresas.
Além disso, o desempenho das estatais está relacionado a uma preocupação mais ampla com a condução das contas públicas, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
“Isso é um risco para os investidores que possuem debêntures ou títulos dessas empresas. É um sintoma do momento atual, de gastos descontrolados e falta de controle fiscal”, afirma.
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Além do cenário fiscal, a capacidade de gestão das empresas públicas também é colocada em discussão. Segundo Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, o desempenho das estatais brasileiras contrasta com o de companhias públicas de outros países.
“As nossas empresas estatais são muito mal geridas. Quando se compara com outras estatais no mundo, percebe que elas podem, sim, dar lucro. As empresas estatais chinesas apresentaram retorno sobre o patrimônio (ROE) de cerca de 5%. É um ROE baixo, mas a taxa de juros na China também é muito menor, em torno de 3,5%. São empresas de boa gestão, mesmo sendo estatais e estimuladas pelo governo”, explica.
Como o cenário fiscal afeta os investimentos?
A situação das estatais também se conecta a uma questão maior: o nível de endividamento do país e o custo para o governo captar recursos.
Para Marilia, o elevado nível da dívida pública ajuda a explicar por que o Brasil convive com taxas de juros tão altas.
“Quando uma pessoa ou empresa possui muita dívida, a taxa de juros do empréstimo tende a ser maior. No caso do Brasil, temos 81% de dívida PIB, inflação mais alta e uma série de fatores que aumentam o risco”, afirma.
Esse cenário reduz a disposição dos investidores a emprestar dinheiro ao governo e pode dificultar a rolagem da dívida pública.
Na prática, uma percepção maior de risco fiscal pode pressionar as taxas negociadas no mercado. E o efeito chega ao investidor por diferentes caminhos.
“Além de impactar a própria bolsa e pressionar as empresas públicas, o fiscal também pressiona o Tesouro Nacional e as taxas dos títulos do Tesouro Direto”, analisa Pascowitch.
O aumento dos juros também encarece financiamentos e empréstimos do governo, elevando o custo da dívida pública. Para investidores estrangeiros, a deterioração fiscal pode representar um sinal de maior risco na condução das contas do país.
“Vale o investidor ficar de olho nisso, no resultado fiscal junto com o resultado das empresas estatais”, complementa.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.