A St George Mining aumentou em 155% os recursos minerais classificados como medidos e indicados no projeto de terras raras e nióbio de Araxá, em Minas Gerais, segundo atualização divulgada nesta terça-feira (11).
O volume nas duas categorias passou de 29,49 milhões para 75,2 milhões de toneladas, com teor médio de 3,64% de óxidos totais de terras raras (TREO), além de 0,69% de neodímio e praseodímio (NdPr) e 0,58% de pentóxido de nióbio.
Os recursos medidos e indicados são aqueles para os quais existe maior nível de confiança nas informações geológicas do depósito. Com a atualização, eles passaram a representar cerca de 68% da estimativa total de recursos minerais de Araxá, avanço considerado importante para o desenvolvimento dos estudos econômicos e do planejamento de uma futura mina.
A nova estimativa foi elaborada pela consultoria independente SRK Consulting e segue o padrão internacional JORC, utilizado para a classificação de recursos e reservas minerais.
Apesar do avanço de 155% nas categorias de maior confiança, o recurso mineral total do projeto cresceu 57%, para 111,2 milhões de toneladas, com teor médio de 3,57% de TREO e 0,57% de pentóxido de nióbio.
Desse total, 33,2 milhões de toneladas estão na categoria medida, considerada a de maior confiança, 42 milhões são recursos indicados e outros 36 milhões permanecem classificados como inferidos.
A estimativa contempla aproximadamente 3,98 milhões de toneladas de óxidos totais de terras raras, das quais cerca de 760 mil toneladas correspondem a óxidos de neodímio e praseodímio, elementos utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.
O depósito também contém cerca de 630 mil toneladas de pentóxido de nióbio, segundo a estimativa baseada no corte utilizado para o recurso de terras raras.
Terras raras de maior valor
A atualização reforçou principalmente o volume de neodímio e praseodímio disponível nas categorias de maior confiança geológica.
Somados, os recursos medidos e indicados contêm aproximadamente 522 mil toneladas de óxidos de NdPr. Segundo comparação apresentada pela própria St George, o volume é superior individualmente ao registrado nas categorias equivalentes de Mt Weld, da australiana Lynas, e Mountain Pass, da americana MP Materials, as duas maiores minas de terras raras em produção fora da China.
A empresa também identificou dentro do recurso uma parcela de mineralização com teores mais elevados. São aproximadamente 830 mil toneladas de TREO contidas em material com teor superior a 6,29%, além de 120 mil toneladas de pentóxido de nióbio em áreas com teores acima de 0,90%.
Segundo a St George, a existência dessas zonas poderá dar maior flexibilidade ao planejamento de uma futura operação, inclusive com a possibilidade de priorizar áreas de maior teor nos primeiros anos de lavra. O desenho definitivo da mina, no entanto, ainda depende dos estudos de viabilidade em andamento.
Recurso pode aumentar novamente
A nova estimativa também não incorpora a descoberta de East Araxá, localizada cerca de um quilômetro a leste do depósito principal.
Resultados de sondagens realizados na área já identificaram mineralização de terras raras desde a superfície, com amostras individuais chegando a 12,34% de TREO.
A St George mantém cinco sondas de diamante em operação na região e pretende apresentar uma primeira estimativa de recursos minerais de East Araxá no quarto trimestre de 2026.
Caso seja confirmado um recurso mineral na nova área, o volume será adicional aos atuais 111,2 milhões de toneladas calculados para o depósito principal de Araxá.