O Mercado Livre registrou um lucro líquido de US$ 466 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de cerca de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, o resultado superou as expectativas dos analistas, que projetavam um lucro de US$ 433 milhões. O Ebitda ficou em US$ 683 milhões, também acima do esperado, mas com queda de 17% na base anual.
Richard Cathcart, diretor de relações com investidores do Mercado Livre, afirmou ao CNN Money que a retração na margem — que recuou de 12,2% para 6,7% pelo terceiro trimestre consecutivo — não representa motivo de preocupação.
“Não está preocupante e faz parte da nossa estratégia”, declarou.
Ele destacou que a companhia cresceu 50% ano contra ano e acumula 30 trimestres consecutivos de crescimento acima de 30%. “Crescimento de 50% ano contra ano para uma empresa da nossa escala é realmente impressionante”, afirmou.
Segundo a empresa, a queda na lucratividade reflete os investimentos na expansão do frete grátis no Brasil e no avanço da operação de cartões de crédito.
Por outro lado, a estratégia tem impulsionado o crescimento dos negócios, com a receita superando US$ 10 bilhões pela primeira vez.
Cathcart explicou que a queda de margem foi uma decisão deliberada para investir na proposta de valor da plataforma e atrair mais engajamento.
“Isso foi uma escolha nossa, uma escolha para investir na nossa proposta de valor, investir em trazer mais engajamento para a plataforma. E isso está dando certo”, disse.
Os usuários cresceram 26% ano contra ano no geral e 32% especificamente no Brasil. Segundo ele, o foco da empresa é sempre a margem de longo prazo.
“Se conseguirmos construir uma empresa com mais engajamento, mais escala, mais usuários, mais fidelidade, conseguiremos maximizar as margens e fluxo de caixa no longo prazo.”
Frete grátis e expansão do sortimento
Sobre a estratégia de frete grátis, Cathcart informou que atualmente o benefício está disponível a partir de R$ 19 e que membros do programa de fidelidade Meli+ contam com vantagens adicionais, incluindo entrega mais rápida.
Ele também ressaltou que a empresa tem trabalhado para reduzir o custo unitário de entrega, o que melhora os resultados econômicos do investimento ao longo do tempo.
Além do frete, o diretor destacou que a companhia investe em ampliar o sortimento de produtos, trazendo mais vendedores, mais variedade e diferentes faixas de preço. Isso inclui o negócio de cross-border, com produtos importados principalmente da China e também dos Estados Unidos.
“Todas essas estratégias fazem parte de uma coisa só, é quase um quebra-cabeça, que cada pedaço, quando você junta todos, fortalece os outros e traz mais engajamento para a nossa plataforma”, explicou.
Mercado Pago em expansão acelerada
No segmento financeiro, Cathcart destacou o forte crescimento do Mercado Pago. O número de usuários cresceu 30% ano contra ano na América Latina e quase 40% no Brasil.
Os depósitos avançaram 68% no mesmo período, e o negócio de crédito registrou expansão de 75% ano contra ano. A empresa emitiu mais de 2,6 milhões de cartões de crédito, tornando-se o sexto maior emissor de cartões do Brasil, com 75% dos gastos ocorrendo fora da plataforma.
Segundo Cathcart, a proposta de valor do Mercado Pago — que inclui remuneração elevada sobre os depósitos, crédito e vantagens para portadores do cartão — tem atraído cada vez mais consumidores.
Ele também mencionou que o NPS (Net Promoter Score) do Mercado Pago é o mais alto do mercado, segundo tanto a própria empresa quanto organizações independentes. “É uma questão de simplesmente ter o produto melhor do mercado”, afirmou.
Inteligência artificial como alavanca de produtividade
Sobre o uso de inteligência artificial, Cathcart afirmou que a tecnologia já está gerando resultados concretos, especialmente na área de atendimento ao cliente, onde a empresa consegue resolver problemas mais rapidamente e com menor custo.
Na área financeira, ferramentas de IA estão sendo usadas para aumentar a produtividade sem necessariamente ampliar o quadro de pessoal.
“Não é necessariamente sempre uma questão de eficiência e de custo, mas é uma questão de produtividade”, disse.
O diretor afirmou que a empresa está apenas no início da escalada do uso de inteligência artificial, processo que ganhou força no final do ano passado e início de 2024.
“Tenho certeza que a gente vai ter bastante novidade para falar sobre isso ao longo dos próximos trimestres”, concluiu.