O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) decidiu não acionar neste domingo (9), Dia dos Pais, o plano emergencial para gestão dos excedentes de energia nas redes de distribuição. A possibilidade havia sido comunicada previamente às distribuidoras diante do risco de excesso de geração em um período de baixa demanda, mas foi descartada neste sábado após uma nova avaliação das condições previstas para o SIN (Sistema Interligado Nacional).
Segundo o ONS, a combinação entre as medidas adotadas pelo próprio órgão para equilibrar geração e consumo e uma previsão de carga mínima mais elevada tornou desnecessária a redução da produção de usinas conectadas diretamente às redes das distribuidoras.
“Sendo assim, não foi necessário utilizar a redução dos recursos conectados diretamente na distribuição”, diz a nota do operador.
Os agentes envolvidos na operação foram oficialmente comunicados da decisão neste sábado. Apesar de afastar o acionamento do plano, o ONS informou que continuará acompanhando o sistema em tempo real e poderá administrar os recursos disponíveis de acordo com o comportamento da demanda ao longo do domingo.
O Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição funciona como uma espécie de etapa adicional de segurança para situações de baixa demanda de energia e elevada produção de energia. Ele é utilizado quando o ONS já reduziu a geração das usinas que estão sob seu controle, mas ainda existe excesso de produção em empreendimentos conectados às redes das distribuidoras.
Nessa situação, o Operador pode solicitar a redução de geração de usinas de menor porte que não controla diretamente, como pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), térmicas a biomassa, parques eólicos e solares conectados à distribuição.
A atenção especial com o Dia dos Pais ocorre por causa do episódio registrado no ano passado. No início da tarde do Dia dos Pais de 2025, a geração distribuída chegou a responder por 37,6% da demanda do sistema. Para manter o equilíbrio entre oferta e consumo, o ONS reduziu a geração hidrelétrica e termelétrica e cortou 98,5% do potencial de produção das usinas eólicas e solares centralizadas previsto para aquele horário.
Mesmo depois desses cortes, restaram apenas 2 gigawatts (GW) de geração flexível, cerca de 5% do total, como margem de manobra para o Operador. O risco ganhou importância com o crescimento acelerado da geração distribuída solar, que reduz a demanda líquida observada pelo ONS justamente nos horários de maior incidência solar.