Oferta menor de gado deve sustentar preços do boi no segundo semestre

A menor disponibilidade de gado deve ser um dos principais fatores de sustentação dos preços do boi gordo no segundo semestre, em um momento de mudança no ciclo pecuário brasileiro e de redução no ritmo de abates. A avaliação é da StoneX, que aponta que a oferta mais restrita de animais pode limitar os efeitos da menor demanda externa sobre as cotações.

Depois de um primeiro trimestre marcado por abates acelerados, a oferta de animais começou a se contrair a partir do segundo trimestre. O movimento ganhou força em julho e já se refletiu nos preços do boi gordo no mercado físico e também na formação dos contratos futuros.

Com menos animais disponíveis, os pecuaristas recuperaram poder de negociação, depois de um período em que a indústria tinha maior capacidade de pressionar os preços. A mudança ocorre em meio à chamada virada do ciclo pecuário, caracterizada pela redução da oferta de animais para abate após um período de maior disponibilidade.

De acordo com a consultoria, a menor oferta eleva o custo da matéria-prima ao mesmo tempo em que o setor precisa administrar o escoamento da carne em um ambiente de mudanças na demanda externa.

“O mercado doméstico continua firme e outros destinos podem ganhar espaço, mas a redução dos embarques para alguns mercados relevantes tende a aumentar a necessidade de redirecionamento da produção”, informou a Stonex.

A StoneX avalia que agosto, setembro e outubro devem concentrar uma parcela importante dos ajustes do mercado. A expectativa é de que a menor disponibilidade de animais continue dando suporte às cotações, enquanto a indústria busca alternativas para absorver a produção de carne.

A dinâmica também pode alterar o comportamento tradicional do mercado no segundo semestre. Historicamente, o período entre julho e outubro ganha relevância com a maior participação do gado de confinamento. Neste ano, porém, a oferta mais restrita de animais coloca maior peso sobre a disponibilidade de gado na formação dos preços.

Nesse cenário, a evolução das exportações continuará sendo importante, mas não será o único fator determinante para o mercado. A relação entre oferta de animais, demanda doméstica e capacidade de absorção dos mercados externos deverá definir o comportamento das cotações ao longo dos próximos meses.

Cota chinesa adiciona pressão sobre exportações

Além da menor oferta de gado, o mercado brasileiro terá de lidar com uma redução significativa no fluxo de carne bovina para a China nos próximos meses. Segundo a StoneX, o Brasil embarcou cerca de 83 mil toneladas para o país asiático em julho, queda de 48% em relação a junho e recuo de magnitude semelhante ante julho de 2025.

Com isso, o volume acumulado entre novembro de 2025 e julho de 2026 chegou a 1,172 milhão de toneladas, acima da cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China. Parte dos embarques realizados em julho ainda é considerada residual, formada por negócios fechados antes do esgotamento da cota.

A China respondeu por cerca de 36% das exportações brasileiras de carne bovina em julho, ante aproximadamente 50% entre janeiro e junho. No total, o Brasil embarcou 228 mil toneladas de carne bovina no mês, 18% menos que em junho.

A expectativa é de que o impacto do preenchimento da cota fique mais evidente entre agosto e outubro, quando o volume residual deve se esgotar e os embarques para a China podem se aproximar do mínimo.

A retomada deve ocorrer a partir de novembro, quando os novos embarques passam a ser contabilizados na cota de 2027. Como a internalização da carne na China leva entre 45 e 60 dias, a indústria deve começar a se preparar para essa retomada ainda em outubro, antecipando a compra de animais.

Para a StoneX, a experiência de 2026 também pode mudar a estratégia do setor nos próximos anos. A antecipação dos embarques para preencher a cota tende a se consolidar, alterando a sazonalidade das exportações e podendo influenciar a disponibilidade de carne no mercado brasileiro e a formação dos preços.

Ainda assim, para o segundo semestre de 2026, a oferta de animais deve continuar sendo um dos principais pontos de atenção. A menor disponibilidade de gado pode reduzir a intensidade do impacto causado pela queda dos embarques para a China e ajudar a sustentar as cotações do boi gordo.

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