Fim de apostas abre espaço para novos patrocinadores na Premier League

Os clubes da Premier League começam a se despedir dos patrocínios de casas de apostas na parte frontal das camisas, abrindo espaço para um grupo mais diversificado de parceiros comerciais, segundo relatório divulgado pela Nielsen.

Em 2023, os clubes da primeira divisão inglesa concordaram coletivamente em abandonar os patrocínios de empresas de apostas no espaço nobre dos uniformes. A medida passou a valer a partir do início da temporada 2026/27.

“Com a implementação da proibição voluntária e coletiva de parcerias de apostas na parte frontal das camisas, o cenário que definiu a última década está sendo fundamentalmente reescrito”, afirmou a Nielsen Sports no relatório publicado nesta quinta-feira (6).

Segundo a empresa, o fim da chamada “era das apostas” dá lugar a uma fase mais diversificada e complexa, marcada pela presença de grandes conglomerados de software, investimentos soberanos e empresas do setor financeiro e de tecnologia.

A Nielsen cita como exemplos dessa mudança os acordos do Crystal Palace com a empresa de inteligência artificial e tecnologia empresarial Temporal, do Aston Villa com o controverso programa Visit Rwanda e do Everton com a empresa de serviços financeiros CMC Markets.

“Para organizações que buscam desafiar o mercado, especialmente nos setores de fintech e inteligência artificial, o patrocínio está sendo utilizado para construir credibilidade global em grande escala”, afirmou Andy Milnes, responsável pelo mercado esportivo da Nielsen no Reino Unido e na Irlanda.

Segundo Milnes, embora a saída das empresas de apostas possa representar uma perda financeira no curto prazo para alguns clubes, a mudança também cria oportunidades para um ecossistema comercial mais diversificado.

O desafio para os clubes agora é ir além do simples registro dos valores históricos dos contratos e partir para uma análise proativa que atraia esses novos gigantes da indústria”, disse.

A proibição atualmente se limita à parte frontal das camisas. Empresas de apostas ainda podem estampar suas marcas nas mangas dos uniformes e em kits de treinamento.

O Reino Unido, porém, avalia novas regulamentações para impedir que empresas de apostas sem licença patrocinem equipes esportivas de qualquer forma.

A Nielsen prevê que a mudança deve acelerar a entrada de empresas de tecnologia no futebol inglês. “Esperamos uma segunda ‘corrida do ouro da tecnologia’, na qual empresas de infraestrutura de software se tornarão a principal categoria de patrocinadores na parte frontal das camisas até 2028”, acrescentou Milnes.

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